Dia de Reis: entenda a história da data festiva, que já marcou nascimento de Cristo

Rodrigo de Souza
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RIO — A cena é conhecida. Guiados por uma estrela no céu do Oriente, Belchior, Gaspar e Baltazar — os três reis magos — visitam o recém-nascido Jesus Cristo e sua mãe, Maria, em Belém, trazendo como presentes ouro, incenso e mirra.

O acontecimento, narrado na Bíblia no evangelho de São Mateus, é celebrado no dia 6 de janeiro, hoje conhecido como o Dia de Reis, ou dia da Epifania, termo em grego que significa “manifestação”, ou seja, a revelação de Cristo ao mundo. Houve época, porém, em que a data marcava o próprio nascimento de Jesus.

Maria Clara Bingemer, professora de teologia da PUC-RJ, conta que, na Idade Antiga, o Natal e a Festa da Epifania eram uma coisa só. Apenas na Idade Média, com a queda do Império Romano, é que o Natal passou a ser celebrado em 25 de dezembro. No século IV, com Constantino, o cristianismo tornou-se religião oficial de Roma, e as comemorações do nascimento de Cristo se juntaram às festas pagãs que reverenciavam o solstício de inverno.

— No solstício de inverno, a Terra mergulha nas trevas e tem seu dia mais curto. É nesse dia que ela começa a emergir de novo em direção ao Sol. Os romanos celebravam, portanto, a festa do sol invicto. Com a queda do Império Romano, o Natal foi incorporado à festa pagã.

A partir de então, a Festa da Epifania ficou conectada à figura dos três reis magos, diz Bingemer:

— Eles trazem presentes, são cada um de uma latitude diferente, de uma raça diferente… (A história) Realmente representa a manifestação de Cristo a todas as nações.

E é por causa da cena da Epifania, em que os três reis magos presenteiam Cristo recém-nascido, que em nações como Portugal, Espanha e Itália, o costume de dar presentes às crianças acontece no dia 6 de janeiro, e não no dia 25 de dezembro.

Segundo Bingemer, a tradição das nações ibéricas chegou a influenciar o calendário de suas colônias, especialmente as hispânicas.

— Em alguns lugares, a ceia em família e a troca de presentes no Dia de Reis ainda são obrigatórias.

Apesar disso, no Brasil a data costuma ser comemorada com a Folia de Reis, uma celebração cosmopolita e folclórica marcada, entre outros aspectos, pela influência cultural do Oriente. As festas de Valença e Paraty, no Rio de Janeiro, e nas cidades do interior de Minas Gerais são exemplos tradicionais das comemorações no Dia de Reis à moda brasileira, diz Bingemer.

— Infelizmente, pouco a pouco essas festas vão se perdendo. O que é uma pena, porque é uma grande riqueza — afirma a especialista.

Em razão da pandemia, as Folias de Reis de Valença e Paraty não aconteceram este ano. Mas, em alguns lugares, a data não passou em branco. Em Cabo Frio, por exemplo, a festa acontece virtualmente. Dois grupos folclóricos tradicionais da região, a Folia de São Cristóvão e a Folia Estrela Dalva, reuniram seus músicos em vídeo para data. A gravação será divulgada no Facebook da prefeitura da cidade nesta quarta-feira, às 19h.