Diagnóstico de Lula expõe hesitação de partidos diante da Covid

*Arquivo* SÃO BERNARDO DO CAMPO, SP, 10.03.2021 - O ex-presidente Lula durante coletiva no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
*Arquivo* SÃO BERNARDO DO CAMPO, SP, 10.03.2021 - O ex-presidente Lula durante coletiva no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP, BRASÍLIA, DF, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Embora seja um tema de preocupação do comando de campanha dos principais presidenciáveis, os pré-candidatos não pretendem interromper agendas ou alterar protocolos sanitários por causa do risco de contaminação pela Covid-19.

O tema voltou ao debate eleitoral neste domingo (5), quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que contraiu o coronavírus, assim como sua esposa, a socióloga Rosângela da Silva, a Janja.

As coordenações de campanha afirmam que estão seguindo os protocolos sanitários dos estados, mas não tem havido regularmente nos eventos, por exemplo, exigência de comprovante de vacinação.

A preocupação com a Covid tem sido, desde 2020, uma constante entre críticos do presidente Jair Bolsonaro (PL), que buscam se opor em público ao comportamento de desdém do mandatário com a pandemia.

No domingo (5), o Brasil registrou 12 mortes por Covid e 4.591 casos da doença. A média móvel de infecções pelo Sars-CoV-2, com isso, chegou a 29.342 por dia, um aumento de 103% em comparação ao dado de duas semanas atrás.

Com o diagnóstico confirmado, Lula adiou sua participação presencial em compromissos nesta semana. Segundo a assessoria de imprensa do petista, as pessoas que tiveram contato com o ex-presidente foram avisadas do diagnóstico e se testaram.

É a segunda vez que o ex-presidente recebe o diagnóstico de Covid. Em dezembro de 2020, ele viajou para Cuba e foi diagnosticado ao chegar ao país.

Sobre Covid, o ex-presidente tem sido desaconselhado, por questões médicas e de segurança, a manter tanto contato com os apoiadores. Em resposta, costuma dizer que não vai deixar de cumprimentar as pessoas que esperam duas horas para vê-lo.

"A pré-campanha, como toda a sociedade brasileira, terá que analisar a situação conforme ela evolui e seguindo as orientações da ciência e das autoridades sanitárias. Estamos acompanhando o aumento de casos, vendo se serão necessárias tomar mais medidas e seguindo as orientações das autoridades", disse o petista, por meio de sua assessoria de imprensa.

Nos últimos eventos que contaram com a presença de Lula em São Paulo, Rio Grande do Sul e Brasília não foi cobrada a obrigatoriedade do uso de máscara.

Normalmente nesses eventos, Lula e as demais autoridades que ficam no palco não usam máscaras.

O ex-presidente foi convidado a participar virtualmente nesta segunda (6) do evento de lançamento da iniciativa Quilombo nos Parlamentos, que pretende aumentar a representatividade negra no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas estaduais.

Nele, foram distribuídas máscaras na entrada. Integrantes da organização circulavam entre os presentes pedindo que usassem suas máscaras. Sem a presença de Lula, os detectores de metal instalados à porta ficaram desativados --houve inspeção de bolsas.

A assessoria de Lula afirma também que o petista faz testes para detecção da Covid "regularmente", sem especificar a periodicidade, e que ele tomou as quatro doses da vacina.

Além disso, diz que o aumento de casos da Covid "tem sido uma realidade faz tempo". "Muitas vezes a equipe trabalha ou faz reuniões remotas. Isso é monitorado constantemente junto com os dados gerais."

A reportagem procurou integrantes da pré-campanha de Bolsonaro para comentar que medidas o presidente tomará como precaução, mas não houve resposta.

Desde o auge da crise sanitária, o presidente, que contraiu o vírus em 2020, não deixou de participar de atos com apoiadores e de promover aglomerações. Ele também diz não ter se vacinado.

OUTROS PARTIDOS

O presidente do PDT, Carlos Lupi, afirma que a pré-campanha de Ciro Gomes continua exigindo uso de máscara e apresentação do comprovante de vacinação em eventos fechados.

Segundo Lupi, a pré-campanha monitora os casos de Covid, mas não prevê, por ora, mudar protocolos ou adiar compromissos. "Claro, estamos preocupados. A estratégia é exigir comprovante de vacinação de todos e o uso de máscaras. Se a situação agravar, poderemos suspender tudo", diz Lupi.

Ciro teve diagnóstico positivo para a Covid no começo de maio e teve de cancelar compromissos da pré-campanha. Na ocasião, ficou afastado das atividades. Em 2020, o ex-ministro também chegou a receber diagnóstico positivo para a Covid.

O ex-ministro participou de agendas em São Paulo na semana passada e terá compromissos no Rio Grande do Sul nesta semana.

A assessoria de imprensa do PDT afirma que as máscaras são "tiradas apenas nas horas das falas". No entanto, em fotos e vídeos publicados nas redes sociais o pedetista nem sempre aparece usando o acessório de proteção durante as suas agendas.

A campanha da pré-candidata Simone Tebet (MDB) informou que ela e toda a sua equipe vão fazer testes para detectar a Covid-19 todos os dias, como principal medida preventiva durante o novo período de pico da pandemia do coronavírus.

A equipe da senadora também adiantou que vai cumprir as medidas sanitárias contra a doença que forem determinadas pelas autoridades locais em cada cidade que será visitada durante o período de campanha.

Questionada se pretendem realizar eventos em locais fechados e com grande número de participantes, a campanha da pré-candidata disse apenas que vai seguir as medidas determinadas pelas autoridades, incluindo eventuais orientações específicas para atos de campanha.

A campanha de Tebet também informou que ela vai receber a quarta dose da vacina contra a Covid-19 nesta semana e que toda a sua equipe está vacinada.

Na última semana, a União Brasil lançou a pré-candidatura do deputado Luciano Bivar à Presidência da República, em um auditório fechado em Brasília. A equipe do deputado não exigiu comprovante de vacinação dos presentes ou o uso de máscaras. Tanto Bivar como as outras mais de dez pessoas que estavam com ele no palco não usaram máscara.

Diante do aumento do número de casos, a assessoria de Bivar, que não pontuou na última pesquisa Datafolha, afirmou que o deputado e seus assessores farão testes "frequentemente" antes de eventos em ambientes fechados e após atos públicos.

"Qualquer integrante da equipe que apresentar sintomas será afastado até que teste negativo para Covid-19", disse a assessoria. A equipe de Bivar também disse que o uso de máscaras ocorrerá conforme a exigência de cada estado.

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