Diagnosticada com câncer terminal, menina de 12 anos realiza sonho ao lado da família

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Aos 12 anos, a adolescente Sophia Vitória é uma heroína do mundo real. Em nada fica a dever para a Mulher Maravilha, Capitã Marvel ou até mesmo para o Homem-Aranha, seu personagem favorito. A menina não usa roupas especiais nem escala paredes. Os superpoderes de Sophia são outros. Envolvem fé, resiliência, esperança e compaixão — ela só aceitou contar sua história se servisse como alerta sobre a sua doença. Sophia tem câncer em estágio terminal, está com cuidados paliativos e realizou, ontem, o desejo de assistir à estreia do filme “Homem-Aranha: sem volta para casa” no cinema de um shopping da Zona Sul do Rio. Vestiu sua melhor roupa e fez o penteado mais legal.

— Ela ficou cinco meses no hospital, preocupada porque não conseguiria assistir ao filme. Com a internação, não saberíamos se poderíamos ir. Não conseguimos o ingresso para uma sala com a estrutura de que ela precisa. Foi a equipe médica do hospital que iniciou uma mobilização para que ela estivesse aqui a tempo de realizar esse desejo — conta a mãe, a microempresária Kellen do Rosário de Oliveira, de 36 anos.

A sessão exclusiva para ela, alguns poucos familiares e amigos foi oferecida gratuitamente pela rede Kinoplex, que soube da história de luta de Sophia. Na primeira fila, a menina não tirava o olho da tela e assumiu a responsabilidade de contar para o pai, Luiz Fernando, as cenas perdidas por ele a cada vez que precisava sair da sala. O silêncio era interrompido apenas nos momentos de maior emoção do filme, quando Sophia e os convidados vibraram.

Ela não escondeu a predileção por alguns personagens.

— Esse era o que eu mais gostava — disse baixinho para o pai (atenção, leitor, tem spoiler na sequência!) quando o ator Andrew Garfield apareceu na tela.

Hoje, Sophia é mais fá do ator Tom Holland, que deu vida ao personagem nos últimos filmes.

— Toda a família é apaixonada pelo universo dos super-heróis — conta Kellen, que tem outras três filhas, Nicolly, de 18 anos, Fernanda, de 16, e Valentina, de 4, e mora no bairro de Imbariê, em Duque de Caxias, na Baixada.

Dublador do personagem interpretado por Holland, Wirley Contaifer, quando soube da admiração da menina, gravou uma mensagem com a voz brasileira do super-herói. No texto, disse que é amigo “de quem é heroína também e que enfrenta todos os dias com a força que tem”. “Heróis andam juntos”, continuou o super-herói adolescente cujos filmes nunca esconderam seu lado frágil e humano: “E juntos nós iremos, avante. Você é um milagre”.

Primeiro diagnóstico em julho

A família descobriu em julho deste ano um quadro grave de aplasia medular em Sophia. Kellen lembra os sintomas iniciais que ligaram o sinal de alerta: dor de cabeça, fraqueza, taquicardia e fluxo menstrual intenso. Ela ficou internada e iniciou os tratamentos no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), da UFRJ, na Ilha do Fundão. O único tratamento viável seria o transplante de medula óssea.

Uma das irmãs era altamante compatível para o transplante de medula, e a cirurgia estava marcada. No entanto, foi identificado um tumor intramandibular, junto à carótida, artéria que leva sangue e oxigênio ao cérebro.

— A cirurgia precisou ser adiada. A partir deste momento, ela começou a ficar mais debilitada. As transfusões começaram a ser mais recorrentes, os antibióticos aumentaram muito. Foram muitos procedimentos cirúrgicos — lembra a mãe.

Mas a luta de Sophia não terminaria ali. Em novembro, ela foi diagnosticada com mucormicose, infecção fúngica oportunista altamente invasiva conhecida também como “fungo negro”. Desde então, chegou a ficar internada no CTI e ser intubada. Os médicos não puderam conter o avanço da doença e decidiram, com a família, que a menina fosse levada para casa sob cuidados paliativos, com mais qualidade de vida.

— A medicina disse que já fez tudo que podia, não há mais recursos. O quadro dela, segundo os médicos, é de fim de vida. Somos envagélicos. Creio que todos nós temos um tempo de vida aqui, Deus tem o melhor para a vida dela. Agora, o sim ou o não, quem decide é Deus. Ele é o dono da vida dela e pode dar a cura mesmo que a medicina tenha esgotado todos os recursos. Cremos que o milagre possa acontecer. Sophia é uma menina esperta, especial, inteligente e cativante. No momento, ela precisa do apoio de um cilindro de oxigênio porque a saturação dela tem se mantido muito baixa.

— Tenho muita fé e agradeço toda a corrente de oração que tem sido feita pela minha vida, de pessoas que eu não conheço e que vêm orando pela minha vida. Confio em Deus, estou consciente de tudo que pode acontecer daqui para frente — diz a menina.

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