Diakhaby, do Valencia: 'É normal xingar no futebol, mas não se pode falar da raça'

O Globo
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Mouctar Diakhaby deu entrevista ao site "AS", da Espanha, para comentar o que aconteceu na partida entre o time que defende, o Valencia, e o Cádiz, de Juan Cala. O zagueiro francês deixou o campo de jogo depois de, segundo ele, ter sido chamado de "negro de merda" pelo jogador espanhol. Os companheiros de equipe seguiram o jogador, em sinal de solidariedade, mas depois retornaram ao campo de jogo, por receio de sofrerem alguma punição. Diakhaby, não.

Durante a dúvida sobre a continuidade ou não da partida, um jogador do Cádiz teria perguntado a outro do Valencia se a equipe aceitaria voltar a campo caso Cala pedisse desculpas a Diakhaby. O caso está sendo investigado pela polícia. Cala nega que tenha ofendido o francês.

- Todos em campo querem ganhar e às vezes nos estranhamos. Cada um tem uma reação. Nos jogos há troca de insultos e o que acontece no campo, fica no campo. Mas não tudo. As pessoas me xingam, mas nunca se pode falar da minha raça. Nao se pode fazer dano ao outro citando cor da pele. Isso não pode entrar na cabeça de ninguém. O futebol é um jogo, mas com o questão racial não se pode jogar porque há uma história social por trás. Eu escutei que são coisas de homens, mas um homem tem de respeitar a raça do outro. Isso não podemos deixar passar - afirmou o jogador do Valencia.

Diakhaby diz ainda que o zagueiro brasileiro Gabriel Paulista foi o primeiro a apoiá-lo na decisão de deixar o gramado e que ele pediu aos companheiros para que retornassem ao jogo, para não correrem o risco de perderem os pontos da partida.

Valencia e jogador agora defendem uma mudança no regulamento do futebol espanhol, descartando qualquer tipo de punição para equipes que deixem o campo por causa de casos de racismo. Diakhaby faz campanha por uma punição ao jogador do Cádiz.

- Tem que haver punição para dar o exemplo para a sociedade. Se não há sanção é como dizer que vale tudo e assim não vamos lutar para erradicar o racismo. As pessoas falam muito sobre acabar com o racismo, mas não buscam muitas soluções. É preciso ser duro com essas palavras.