Diante de Pompeo e Netanyahu, Bahrein pede retomada do diálogo israelense-palestino

Guillaume LAVALLEE y Francesco FONTEMAGGI
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O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e sua esposa, Susan, descem do avião no aeroporto de Ben Gurion, em Tel Aviv
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e sua esposa, Susan, descem do avião no aeroporto de Ben Gurion, em Tel Aviv

Ladeado por Benjamin Netanyahu e Mike Pompeo, o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdellatif al Zayani, pediu nesta quarta-feira (18) a retomada das negociações de paz e uma solução "viável" para o conflito israelense-palestino.

Na primeira visita oficial a Israel de um ministro daquela monarquia do Golfo, o enviado do Bahrein insistiu na aspiração de que as negociações de paz fossem retomadas com base em "dois Estados" e que essa solução fosse levada em consideração na normalização das relações entre Israel e outros estados árabes.

"Peço a ambas as partes que se sentem à mesa de negociações para chegar a uma solução viável de dois Estados", com uma Palestina independente ao lado de Israel, declarou o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, no âmbito de uma coletiva de imprensa com seu homólogo americano e o primeiro-ministro israelense.

O Bahrein e os Emirados Árabes Unidos assinaram dois acordos em Washington para normalizar suas relações com Israel em setembro, uma iniciativa descrita como "traição" pelos palestinos.

"Estou confiante de que esta cooperação nascente entre Bahrein e Israel abrirá o caminho para uma paz para todo o Oriente Médio e continuo a enfatizar em todas as minhas reuniões que, para alcançar e consolidar essa paz, o conflito israelense-palestino deve ser resolvido", disse Zayani.

As últimas negociações diretas entre palestinos e israelenses fracassaram em 2014. Nos últimos meses, os israelenses se propuseram a discutir com os palestinos com base no plano de Trump que prevê não apenas tornar Jerusalém a capital de Israel, mas também anexar cerca de 30% de Cisjordânia.

Os palestinos rejeitaram esse projeto, que consideram muito favorável a Israel, e propuseram retomar as negociações no ponto em que estava em 2014, ou seja, sob os auspícios do Quarteto (ONU, UE, Rússia, EUA) ou simplesmente relançar a coordenação de segurança com Israel, congelada por meses.

- "Volte para a casa" -

Pompeo não previa um encontro com a liderança palestina durante sua visita.

No entanto, de acordo com a imprensa israelense, ele poderia se deslocar para uma colônia israelense na Cisjordânia ocupada, especificamente a cidade vinícola de Psagot.

Procurados pela AFP, nem a diplomacia americana, nem as autoridades de Psagot confirmaram esta possível visita, que seria a primeira de um chefe da diplomacia americana a uma colônia da Cisjordânia.

Nesta quarta-feira, dezenas de palestinos protestaram em Al Bireh, uma cidade em frente a Psagot.

"Pompeo, volte para casa", podia-se ler em uma das faixas.

"A visita de Pompeo é um crime porque viola todas as resoluções internacionais", disse Munif Treish, membro do conselho municipal de Al Bireh, durante uma entrevista coletiva.

"Os vinhedos (Psagot) foram construídos em terras palestinas privadas", acrescentou. "Temos os documentos que o comprovam".

A colonização israelense dos territórios palestinos teve um grande impulso nos últimos anos sob o governo de Netanyahu e com o apoio de Donald Trump na Casa Branca.

Considerados ilegais pelo direito internacional, mais de 45.000 israelenses residem nessas colônias na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, onde vivem 2,8 milhões de palestinos.

No entanto, há um ano, Pompeo anunciou que os Estados Unidos parariam de ver essas colônias como contrárias ao direito internacional.

A decisão foi celebrada por Psagot, que há anos luta para manter o nome "Israel" em suas garrafas, ao invés de "colônias israelenses", como decidido pela justiça europeia.

"Se as relações internacionais são baseadas em garrafas de vinho, é a morte da diplomacia", declarou o primeiro-ministro palestino, Mohamed Shtayé, na terça-feira.

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