Dias das Crianças: Fenômeno na internet, bebê Alice encanta e família começa a investir em canal no YouTube

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RIO — Palavras difíceis, invenção de historinhas, aulas de música, dança e muita brincadeira no parquinho são algumas das atividades da pequena Alice, de dois anos. A bebê que virou um fenômeno da internet nos últimos meses impressiona pela boa dicção — “oftalmologista”, “propositalmente”, “fonoaudióloga” são só algumas do repertório — e pela criatividade na hora de “ler” um livro. “Quando as pessoas riram, estava escuro” é uma das frases de Alice que acabou virando estampa de camisa, moletom e canecas. Morgana Secco, mãe da bebê, já acumula quase três milhões de seguidores no Instagram e mora com o marido Luiz Schiller em Londres desde 2017. Ela conta que a família, agora, quer focar em produzir conteúdo para o canal no YouTube.

— Lá tem um misto de vídeos da Alice, mas mais vídeos nossos em família. Publiquei um vlog da gente no museu, ela vendo os detalhes. Tem, então, essas descobertas dela. Muita gente me pede para fazer mais conteúdos sobre Londres e a vida aqui. Além disso, tem a parte informativa, coisas que aprendi que valem a pena compartilhar — explica.

Alice viralizou no começo deste ano e está sendo requisitada para parcerias publicitárias, Itaú e Renner são algumas das empresas que procuraram a bebê. Morgana diz que, em março, as viralizações começaram a aumentar exponencialmente o alcance do perfil e do número de seguidores. Entre os vídeos mais famosos, estão dois em que Alice repete “palavras difíceis”. A mãe da bebê explica que ela já gostava muito de falar e de decorar as histórias de livrinhos.

— A gente (Morgana e Luiz) percebia que ela tinha um olhar atento quando falávamos uma palavra que ela não conhecia. Mas, especificamente, essa brincadeira surgiu porque eu vi um vídeo de uma mãe americana falando umas palavras difíceis e a filha repetindo. Aí eu pensei: “Ah, que legal. Acho que a Alice vai gostar de fazer isso”. Agora, até hoje, se eu falo umas palavras muito simples, às vezes ela fala “não, mas eu quero falar palavra difícil” — diverte-se Morgana.

Junto com a fama, vem as preocupações. Para Morgana, já existe uma insegurança natural com relação ao que se faz com os filhos e, quando isso é somado a uma exposição, ela conta que se questiona sobre as decisões para tentar aproveitar e minimizar qualquer lado ruim que possa vir à tona.

— Eu tomo cuidado para não postar vídeos em que ela esteja chorando ou de alguma situação constrangedora, para que ela não se sinta envergonhada em algum momento. Não posto quando a gente está em algum lugar, em tempo real, para as pessoas não conseguirem nos acessar facilmente, não divulgo onde a gente mora exatamente ou onde é a escola dela. Tenho cuidado também com as parcerias: se uma empresa de agrotóxico me procurar, eu não vou querer fazer porque não é uma coisa que eu concordo, então eu também não quero que ela se associe a esse tipo de coisa — diz.

Maternidade

A personalidade de Alice, somada a um ambiente de estímulo e atenção, fez com que a bebê ganhasse admiradores e que sua mãe passasse a ser requisitada em conversas e dicas sobre maternidade.

— Eu já gostava de falar sobre maternidade antes, eu já trocava muito com outras mães, especialmente porque eu sou fotógrafa de família, e percebo o quanto falta informação para muita gente. Eu recebi o feedback de algumas famílias como “nossa, mas eu nunca tinha pensado em dar livro para o meu filho e ele já tem um ano” ou então “ah eu não fazia ideia que não era recomendado dar telas para crianças tão pequenas”. São coisas que fazem diferença na vida das pessoas. Eu nunca busquei ser “influencer”, mas está acontecendo organicamente — conta.

Morgana descreve ser mãe de Alice como “maravilhoso” e que é ela que a inspira.

— Minha inspiração de vida hoje, da maternidade, é ela. Independente do que as pessoas acham, da fama, para mim é a mesma coisa. Para a mãe não muda nada, ela já era minha filha.

No início, os haters assustaram um pouco Morgana, mas ignorá-los foi suficiente para fazê-los irem embora. Porém, os “palpiteiros” da maternidade alheia seguem de plantão:

— As pessoas têm uma sensação de que criança é bem público e que elas podem palpitar sobre a criação o tempo inteiro. Essas opiniões são quase inerentes à maternidade, não que eu ache legal, mas é muito comum e, para isso, eu já nem ligo.

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