Dicionário Oxford muda definição da palavra 'mulher' após acusações de sexismo

The Independent
·3 minuto de leitura
Reprodução/Independent
Reprodução/Independent

O Oxford English Dictionary atualizou sua definição da palavra "mulher" em sua última revisão de gênero, após denúncias de que era "sexista".

Na última edição do dicionário mundialmente famoso, ele reconheceu pela primeira vez que uma mulher pode ser "esposa, namorada ou amante de uma pessoa". A definição anterior era limitada a "esposa, namorada ou amante de um homem". O termo "bitch" (vadia, em tradução livre) não foi eliminado da definição, mas agora é classificado como pejorativo.

As mudanças vêm depois de uma petição montada no ano passado pela ativista Maria Beatrice Giovanardi para se livrar de todas as frases e definições que discriminam ou diminuem as mulheres.

Até agora, ele ganhou mais de 34.000 assinaturas e teve como objetivo eliminar sinônimos como "vadia (bitch), pedaço, égua, bagagem, frágil, pássaro e potranca" do dicionário. Na petição online, Giovanardi afirma que "mais de um terço das mulheres com idade entre 18 e 24 anos foram vítimas de abuso online."

"Podemos dar um passo sério para reduzir o dano que isso está causando às nossas jovens, olhando para a nossa língua — e isso começa com o dicionário.”

Após a mudança, Giovanardi falou ao The Independent:

— Eu gostaria de dizer que sim, é uma vitória, porque estou muito feliz com todas as mudanças que eles fizeram, porque melhoramos muito a definição e os sinônimos em comparação com o que eram.

Mas lamentou que a palavra "bitch" (vadia, em tradução livre) não foi retirada:

— É uma pena, uma coisa que eu gostaria que eles tivessem mudado é que tivessem se livrado da palavra bitch. Esse foi um dos nossos pontos principais e uma das razões pelas quais as pessoas estavam com tanta raiva em primeiro lugar.

— Vou desafiá-los repetidamente, e se eles não fizerem mais alterações neste ponto, espero que logo percebam que, assim como o "idiota" é depreciativo demais para o dicionário deles, que bitch é a mesma gíria vulgar e depreciativa demais para ser entendida da maneira despreocupada que eles pensam. "Bitch" não é apenas uma palavra ofensiva, é sexista e pode ser considerada um discurso de ódio porque as mulheres são um grupo oprimido.

Sinônimos incluindo “bint” e “bitch” não foram removidos da última edição, mas agora foram rotulados como “ofensivos” e “depreciativos”, enquanto “prostituta” foi totalmente removido.

— Espero que em breve a opressão das mulheres seja considerada igual ao racismo e à homofobia. Todos são problemas enormes, mas não acho que o sexismo seja visto da mesma forma opressora que outras questões, como raça ou sexualidade — disse a ativista.

Ela afirma que está "85% feliz" com o resultado, afirmando que a definiçao segue sendo "15% sexista".

— É uma grande melhoria e uma grande vitória para a comunidade LGBT, o que eu acho que é uma coisa enorme, que eles reconhecem outros tipos de amor, e não é a esposa de um homem ou mulher, é a esposa de uma pessoa — diz a ativista, explicando que a petição também visa ampliar o verbete do dicionário para mulheres e "incluir exemplos representativos de minorias, por exemplo, uma mulher transgênero, uma mulher lésbica".

Após uma revisão da diversidade de gênero que terminou no início deste ano, dezenas de outras palavras no dicionário foram alteradas. Incluída na edição renovada está uma definição atualizada de “homem”. Anteriormente, incluía "um marido ou amante", mas foi alterado para "marido, namorado ou amante masculino de uma pessoa".

Em uma declaração dada ao The Telegraph, a editora Oxford University Press (OUP) disse que o dicionário é “conduzido unicamente por evidências de como pessoas reais usam o inglês em suas vidas cotidianas”.

A organização acrescentou: “Expandimos a cobertura do dicionário de 'mulher' com mais exemplos e frases idiomáticas que retratam as mulheres de uma maneira positiva e ativa.

“Asseguramos que sinônimos ou sentidos ofensivos sejam claramente rotulados como tal e incluídos apenas onde houver evidências de uso no mundo real.”

A OUP havia dito anteriormente que os dicionários “refletem em vez de ditar” como o inglês é usado. A reportagem entrou em contato com OUP para comentar, mas não obteve resposta.