Diego Hypolito fala em livro da dificuldade de revelar sua sexualidade: 'Era sinônimo de ser um demônio'

Diego Hypolito está lançando sua biografia, "Não existe vitória sem sacrifício" (Editora Benvirá),  na qual fala sobre as conquistas com a ginástica, mas também desabafa sobre o processo de revelar sua homossexualidade. Num dos capítulos, ele conta que tinha medo de magoar a família e estar pecando. Diego ainda revela que falou sobre o assunto pela primeira vez com a mãe há cinco anos, quando tinha 28. Afirmando que a ginástica é um meio "altamente preconceituoso", ele diz que preservou seu segredo por receio de perder apoios e patrocínios.

"Me dei conta de que não preciso esconder a minha história de ninguém. Não mais. Não depois de tudo o que eu já vivi e conquistei, mesmo com todas as limitações que me foram impostas", diz ele, que namora o advogado Marcus Duarte há 2 anos.

"Ter que esconder a própria sexualidade em pleno século XXI pode até soar antiquado, mas eu tinha muito medo de magoar minha família. Além de serem pessoas criadas com uma educação rígida, meus pais também sempre foram muito religiosos. Tanto é que sou muito ligado à religião até hoje... frequento o culto uma vez por semana. Por conta dessa religiosidade, durante muito tempo, ao menos na minha cabeça, ser gay era sinônimo de ser um demônio, alguém amaldiçoado. Era como se o fato de eu ser gay fosse uma praga para minha família. Além de eu achar que minha sexualidade era uma maldição para meus pais, eu ficava com a impressão de estar pecando o tempo todo", revela.

 

Diego conta que o processo de autoaceitação foi difícil, e que o bullying cometido por outros ginastas o prejudicou ainda mais.

"Cresci tentando esconder minha sexualidade. Não só dos outros, mas de mim mesmo. Foi muito difícil me aceitar como gay. Embora de longe não pareça, a ginástica é um ambiente altamente machista e preconceituoso. As pessoas zombavam do meu jeito de ser. Quando escreveram as palavras 'eu', 'sou', 'gay' com pasta de dente em mim e em mais dois atletas, por exemplo, estava embutido ali, naquele assédio moral, o peso de ser homossexual. Ser gay era uma vergonha tão grande que a palavra servia como xingamento".

No capítulo, o atleta ainda fala que tinha medo de perder patrocínio se revelasse sua orientação sexual. Segundo ele, as empresas não eram tão amigáveis com diversidade há alguns anos. "Foi muito solitário viver tanto tempo sem poder falar disso com ninguém...minha paranoia era tão grande que eu tinha certeza de que, se assumisse que era gay publicamente, perderia a maior parte dos meus apoios e patrocínios"