Dieta do intestino: protocolo de modulação ajuda a regular órgão e auxilia na imunidade

Mariana Coutinho
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Assim como as impressões digitais são capazes de nos identificar em meio aos mais de 7 bilhões de habitantes do planeta, a colônia de trilhões de hóspedes (bactérias, fungos e vírus) em nosso intestino é uma marca precisa, que nos torna únicos. Cada indivíduo tem espécies diferentes e um balanço entre as bactérias “boas” e “ruins”, responsáveis pelo funcionamento do órgão agora conhecido como “segundo cérebro”. O desequilíbrio entre essas espécies no intestino é chamado de disbiose e gera má digestão, prisão de ventre, baixa de imunidade, dificuldades para emagrecer e maior propensão à depressão. Por isso, nutricionistas e nutrólogos têm se dedicado mais ao tema. Se antes a máxima era “Você é o que você come”, agora pode ser “Você é o que você defeca”.

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A museóloga Viviane Sampaio, de 68 anos, sabe bem o que é isso. Há mais de 30 anos, ela tomava laxantes religiosamente para o que pensava ser uma constipação crônica. Tudo mudou quando resolveu fazer um protocolo de modulação intestinal, uma dieta de poucos dias para dar uma espécie de “reset” no organismo. “Fiquei muito surpresa quando passei a ir ao banheiro todos os dias sem nada para induzir”, conta. Para isso, ela começou com um choque de três dias comendo apenas alimentos crus e de baixo teor proteico, com supervisão de sua nutricionista.

A ideia é alimentar as bactérias probióticas (as boas!) e matar as ruins de fome. Assim, são retirados temporariamente os alimentos que geram fermentação no intestino, como carnes e farinhas. Depois, eles vão sendo reintroduzidos aos poucos. “É preciso fazer uma reeducação a partir daí. Se você faz a modulação, mas depois volta a comer fast food não adianta”, ressalta Thais Araújo, nutricionista do projeto Oficina Humana, que recomenda o protocolo uma vez por ano.

Em seu consultório, Thais trabalha com testes de microbioma, que identificam os microorganismos de cada um: “É como se dessem identidade e CPF de quem habita o seu intestino. E com essas informações, sabemos quais são os alimentos favoráveis e desfavoráveis”. Ela explica que com o exame, chamado Shotgun (do inglês, “espingarda”, no sentido de um tiro certeiro), é possível produzir medicamentos probióticos específicos e que são bem mais eficazes. O teste, que não sai por menos de R$ 2.600, também indica os alimentos “gatilho”, aqueles capazes de gerar um desequilíbrio imediato.

E quais são os sintomas desses desbalanço? Distensão abdominal, má digestão, gases e especialmente alterações no ritmo intestinal, como diarreia ou constipação, lista a gastroenterologista Maria Regina Futuro. “O que se considera normal vai de três evacuações por dia até uma evacuação a cada três dias. E o formato ideal é como um charutinho”, observa a médica. As fezes em bolinhas podem indicar desidratação, enquanto as mais aquosas geralmente são sinal de inflamação. A médica recomenda uma dieta sem ultraprocessados e o uso de probióticos para reequilibrar.

A nutricionista Thais Araujo explica, ainda, que a modulação do intestino é um elemento importante para quem quer emagrecer. “Pense que duas pessoas comem uma maçã de 100 calorias. A primeira está com o intestino equilibrado. Ela absorve 80 calorias e excreta o resto. A outra está com disbiose, as bactérias patogênicas fermentam mais e ela acaba absorvendo 120 calorias”, explica. Ela relata que várias pacientes já perdem peso só com a modulação.

Foi o caso da coordenadora artística Patrícia Koslinski, de 44 anos, que perdeu 1,5kg nos poucos dias de modulação e 6kg depois de um mês de reeducação. “Eu vinha de meses de pandemia com pé na jaca mesmo. Então a mudança foi enorme”, conta. “A modulação me desinchou e me preparou para o processo de emagrecimento”. Ela sentiu melhoras também na pele, no cabelo, na disposição e no humor .“Acho também que foi um autoconhecimento. Agora eu consigo identificar que alimentos não me fazem bem”, avalia. Enfezada, nunca mais!