Rafa Kalimann tem um corpo perfeito, mas está fazendo uma dieta restritiva. Por quê?

Marcela De Mingo
·6 minuto de leitura
Rafa Kalimann falou sobre a dieta no Twitter e levantou uma questão sobre a necessidade de promover uma alimentação restritiva (Foto: Instagram)
Rafa Kalimann falou sobre a dieta no Twitter e levantou uma questão sobre a necessidade de promover uma alimentação restritiva (Foto: Instagram)

“Emagrecer" não é um dos termos mais buscados da internet à toa. Vivemos em uma sociedade que julga, muito, as pessoas pela aparência e a ideia de que o magro não só é mais bonito, como mais saudável, ainda é bastante forte. Por isso, quando Rafa Kalimann comenta sobre uma nova dieta bastante restritiva… É de se esperar que muitas pessoas comentem.

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Em sua página oficial no Twitter, Rafa explica que foi à nutricionista e começou uma dieta bem mais restritiva, sem carboidratos, leite e derivados, álcool e doces, e ainda disse que a nutri "só esqueceu de tirar o meu estômago que tá gritando".

Logo, uma série de influenciadoras do movimento body-positive se manifestaram sobre o assunto . Uma delas foi Mirian Bottan, que explicou como ler sobre a dieta de Rafa lhe gerou um "frio na espinha". "Por muitos anos fiz dietas como essa, sempre com a inocente intenção de dar uma secadinha. Só que sem nem perceber, acabei prisioneira desse controle e também da perda dele", explicou ela.

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Mirian conta como seguia a dieta por alguns dia antes de voltar a comer o que comia antes, às vezes até em quantidades maiores. "Depois, cheia de culpa e vergonha, vomitava, tomava laxantes, me exercitava por horas pra queimar o exagero e a “falta de força de vontade” e voltava com ainda mais força para a restrição, com mais medo da comida, com mais raiva de mim. Os quilos perdidos e as vontades controladas foram virando a única medida do meu valor como pessoa", explica.

Como a própria Mirian diz, nem toda dieta termina em transtorno alimentar, mas todo transtorno alimentar começa com uma dieta. A ideia de que é necessário controlar pesos, calorias, fazer o que for necessário para ter um corpo ideal para o verão, para poder usar um biquini em paz é o que torna os alimentos um vilão na vida de muitas mulheres.

É claro que os homens também estão sucetíveis a isso. Afinal, o ideal de um corpo perfeito e desejável pelo sexo oposto pode gerar questões de autoestima para os dois lados.

Acontece, porém, que quando se fala nas mulheres, ter um corpo considerado em forma é praticamente uma obrigação se ela pretende receber um mínimo de atenção, de acordo com a opinião masculina. Ao longo do tempo, essa pressão por um padrão de beleza ideal gerou questões de autoestima profundas que afetam até mesmo meninas pequenas, de menos de 10 anos.

Uma pesquisa da Dove, por exemplo, concluiu que apenas 11% das garotas no mundo inteiro se sentem confortáveis em se descreverem como bonitas - e 72% se sentem pressionadas a serem assim.

A mesma pesquisa também explicou que 54% das mulheres no mundo acreditam que elas próprias são as que mais se criticam, mas é fato que essas críticas começam de algum lugar. Elas surgem de um conjunto de estímulos e experiências próprias que geram uma visão distorcida de si mesmas.

Ashley Graham, uma das modelos mais famosas do mundo, há anos têm trabalhado o discurso da autoaceitação tanto na sua carreira quanto nas redes sociais, tentando inspirar mulheres a se sentirem confortáveis nos seus próprios corpos.

A cantora Lizzo viralizou há algumas semanas ao postar um vídeo em que mostra a sua rotina de exercícios físicos ao mesmo tempo que explica como se exercita para ter o corpo ideal para ela e não para os outros - nisso, o que realmente importa é a sua disposição e bem-estar. "Saúde não diz respeito a como você é por fora", disse ela.

A relação com a alimentação, aliás, tem que partir daí. Não deve ser pautada na beleza estética, mas na saúde como um todo. O alimento é um combustível para o corpo e uma vida saudável depende de uma alimentação equilibrada. Isso não significa que você, como mulher, precisa ter um peso considerado ideal para as outras as pessoas - mas aquele que faz com que você se sinta bem consigo mesma.

Honestamente, a conversa do peso e da dieta é uma que não gostaríamos mais de ter a essa altura do campeonato. Só porque cada pessoa é responsável pelas próprias escolhas e pelas próprias influências. Porém, se a pandemia do coronavírus nos ensinou qualquer coisa foi a importância de pensarmos no coletivo e como as nossas escolhas podem ter um impacto nos demais.

Falando exclusivamente de influenciadores e celebridades, o que essas pessoas ensinam e demonstram têm um impacto gigante no seu público e é preciso ter consciência dessa influência para estimular conversas saudáveis e que promovam um bem-estar geral.

Rafa explicou que nenhuma decisão foi tomada sozinha: ela buscou médicos, fez exames e desenvolveu uma dieta junto com um nutrólogo. Reforçou ainda que as pessoas precisam se cuidar, o que é verdade.

Mas, como disse a jornalista e fundadora do movimento #CorpoLivre Alexandra Gurgel, Rafa é livre para falar e fazer o que bem entender com a própria vida e o próprio corpo. Porém, é fato que dietas restritivas tiram o prazer de comer e demonizam a alimentação - é possível ser feliz e ter uma relação saudável com a comida, sem exageros.

"Passar fome não é saúde. Cortar tudo não é saúde. Sentir vontade e ficar infeliz não é saúde. Mas sim: façam o que quiserem. Apenas tenham noção que não é por saúde: é por estética. E corpo perfeito não existe", escreveu ela.