Sensibilidade de P.A e D.G é tapa na cara de um Brasil que animaliza homens negros

A dulpla foi entrevistada no
A dulpla foi entrevistada no "Mais Você desta quinta (28). (Foto: Reprodução/Instagram @iampauloandre)

A entrevista no “Mais Você” que Ana Maria Braga conduziu com Arthur Aguiar pareceu mais um Jogo da Discórdia que um momento de finalização do game. O ator foi o grande vencedor do Big Brother Brasil 2022 e, com fama de “jogador da casa”, ele não deixou de falar das estratégias nem mesmo quando saiu.

Certo que o quadro na Ana Maria é mesmo para lavar roupa suja (inclusive, é patrocinado por uma marca de limpeza), mas é preciso reconhecer que no quesito carisma o ator Doulas Silva e o atleta Paulo André dão aula!

Juntos, os dois estiveram na manhã desta quinta-feira (28) no programa matinal, e falaram sobre suas trajetórias no reality, planos para o futuro, família, e até Anitta. Ana aproveitou para relembrar momentos marcantes da carreira dos dois. Douglas é um dos maiores atores do Brasil, e o primeiro a ser indicado ao Emmy, super prêmio internacional. Já P.A é campeão olímpico.

Homem negro como sinônimo de sensibilidade

Douglas e P.A foram um dos participantes mais queridos da edição. D.G trouxe seu sorriso largo, dancinhas “tiktokers” e sensibilidade, e provou porque merece ser reconhecido no país. Em tempo, é preciso valorizar os talentos negros brasileiros, e celebrar a arte de D.G agora em vida. O artista é o eterno “Dadinho” de Cidade de Deus, mas sai do programa com missão cumprida: apresentou ao público a inteligência e brilhantismo de um homem negro que sabe o que sua presença nos espaços significa.

Já a espontaneidade de P.A arrancou sorrisos e suspiros na telinha. Paulo revela outro lado interessante: o lugar do atleta negro no Brasil - país que, além de racista, não investe bem nos esportes. Jovem e cheio de sonhos, a doçura e a coragem de mostrar seus sentimentos ensinaram bastante coisa para a masculinidade frágil dos brasileiros.

 

Não é incomum ver como o homem negro é animalizado e desumanizado no país. Muitas vezes é tido como violento, em prol de uma suposta ingenuidade da branquitude. No livro “A gente é da hora”, bell hooks refletiu: “Nossa cultura não ama homens negros; eles não são amados por homens brancos, por mulheres brancas ou por mulheres negras, nem por meninas e meninos”.

Trazer isso para as discussões é essencial, mesmo que você considere apenas um “reality show”. A presença de pessoas não brancas, que rompem padrões de gênero, corpo e comportamento, é cada vez mais numerosa na TV brasileira. Com cuidado, podemos ir refletindo o que isso significa. Assim, D.G e P.A trazem um novo e interessante capítulo quando falamos de mídia e população negra.

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