Digitalização de pedidos de benefício contribuiu para aumentar fila do INSS, avalia secretário

Marcello Corrêa
O secretário especial de Desburocratização, Paulo Uebel, disse que o governo planeja melhorar os sistemas internos

BRASÍLIA - A digitalização do serviço de requerimento de benefícios no INSS contribuiu para aumentar a fila de pedidos no órgão. A avaliação foi feita na manhã desta quarta-feira pelo secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel. Em café com jornalistas, Uebel afirmou que o governo planeja melhorar os sistemas internos neste ano para evitar novos acúmulos.

No ano passado, a digitalização de serviços no INSS foi apresentada pela equipe econômica como principal caso de sucesso do processo de ampliação do acesso a órgãos do governo por meios como internet e telefone. Hoje, 100% dos benefícios são feitos de forma digital.

Esse processo inflou o número de pedidos que chegam ao órgão e os sistemas não estavam preparados para a alta da demanda, impulsionada ainda pela corrida para se aposentar antes da reforma da Previdência.

— Realizamos a transformação digital dos serviços prestados ao cidadão. O que fosse levar seis meses para entrar, antecipou a demanda. Isso foi uma questão que a transformação digital levou. Ao longo desse ano, o foco da transformação é melhorar os processos internos. Esse é o foco de 2020 — afirmou Uebel.

A crise no INSS levou a questionamentos sobre a necessidade de contratar mais servidores para o instituto. Só no ano passado, mais de 6 mil funcionários se aposentaram. O secretário especial adjunto de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Gleisson Rubin, pontuou, no entanto, que o órgão foi o que mais recebeu novos funcionários na última década: foram cerca de 8.900 contratações.

— A gente acredita que se tivéssemos começado a digitalização mais cedo, possivelmente esses efeitos seriam mais brandos — frisou Gleisson.