Dilma critica Bolsonaro: "Auxílio emergencial não pode ser objeto de chantagem"

Colaboradores Yahoo Notícias
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A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) - Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) - Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) criticou a fala do atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (sem partido), sobre a população “cobrar” o retorno do auxílio emergencial a prefeitos e governadores. Para a antiga ocupante do cargo, o benefício não pode ser utilizado como “chantagem” para que líderes estaduais não adotem restrições para evitar a propagação do novo coronavírus.

“O auxílio emergencial não pode ser objeto de chantagem. É justamente quando o país está no auge da pandemia, com 251 mil mortes, colapso hospitalar e falta de vacinas, que os pobres devem receber uma renda mínima do Estado para sobreviver e alimentar suas famílias sem se expor à morte, à doença e ao colapso dos serviços de saúde”, disse Dilma em nota publicada em seu site.

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Na noite de sábado, horas depois da manifestação de Dilma Rousseff, o Brasil ultrapassou a marca de 254 mil óbitos por Covid-19.

Na última quinta, em sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o novo auxílio emergencial deverá ter o valor de R$ 250 e durar quatro meses, entre março e julho de 2021.

Será a terceira extensão do auxílio estabelecido no início da pandemia. As primeiras cinco parcelas mensais, entre abril e agosto do ano passado, tinham o valor de R$ 600; em setembro, ele recebeu uma extensão de mais três parcelas, mas de R$ 300.

“Estive hoje com Paulo Guedes [ministro da Economia]. O que deverá ser feito, a princípio, é que, a partir de marco, serão R$ 250 reais de auxílio emergencial por quatro meses. É o que está sendo disponibilizado”, disse Bolsonaro, acrescentando que o governo ainda acertará os detalhes da proposta com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Apesar de anunciar a extensão do benefício, Bolsonaro reclamou que “tem gente que quer que o auxílio continue eternamente” e fez as críticas habituais às políticas de isolamento social que estados e prefeituras utilizam no combate à pandemia.

“[O auxílio] Não é dinheiro que está no cofre. É endividamento, uma dívida enorme que já temos, de R$ 5 trilhões”, declarou.

“A população quer voltar ao trabalho. Infelizmente, um ou outro governador ou prefeito teima em baixar decretos falando para a população ficar em casa. Quem quiser auxílio emergencial e está com a cidade fechada, vão cobrar do prefeito, do governador, já que ele quer que você fique em casa eternamente.”