Dilma encontra Haddad e Boulos e cobra eleição de aliados para evitar novo impeachment

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou que é preciso eleger aliados para o Congresso Nacional para impedir um novo processo de impeachment no país.

"Nós precisamos eleger a maior bancada de esquerda do Congresso Nacional se nós não quisermos novos golpes", disse Dilma.

A petista discursou em evento de lançamento da candidatura do líder sem-teto Guilherme Boulos (PSOL) à Câmara neste domingo (28), em São Paulo.

Em sua fala, a petista disse que é preciso que Boulos seja o candidato eleito com mais votos no estado.

"Quero dizer isso a vocês do fundo do coração como uma presidente que sofreu um processo de impeachment e que sabe que a herança maldita desse golpe é o governo Bolsonaro", continuou.

Dilma afirmou ainda que é preciso "derrotar, reverter e modificar" todas as medidas tomadas "contra o povo brasileiro, contra a nossa soberania e contra os nossos direitos".

A ex-presidente também disse que o processo eleitoral deste ano é muito importante e pediu votos para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Lula é capaz de fazer duas coisas: transformar esse país e de voltar a fazer com que nesse país nós voltemos a ter uma relação que sempre tivemos antes de respeito, de humanidade, de amor e não de ódio, de repressão, de defesa das 'arminhas'. A gente não precisa das 'arminhas' como relação entre nós."

Ela disse ainda que o petista precisará de "amigos e parceiros" no Congresso para governar.

No ato foi exibida uma mensagem em vídeo do ex-presidente Lula. O petista afirmou que Boulos é um candidato "da mais extraordinária qualidade" e que é uma liderança importante para o Brasil e para São Paulo.

"É extremamente importante que vocês elejam o Boulos com uma extraordinária votação para que ele possa tomar posse ano que vem como deputado federal eleito pelo povo de São Paulo para trabalhar para todo o povo brasileiro", disse.

O candidato ao Governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, também participou do evento.

Em seu discurso, o ex-prefeito de São Paulo afirmou que Boulos foi "muito generoso" em sua decisão de desistir de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes e que eles fizeram uma "engenharia necessária para o momento político que o Brasil está vivendo".

"A gente tem divergências, e elas têm que se manifestar quando existe correlação de forças para a gente puxar a corda para o lado das pessoas que mais precisam e pelas quais todos nós lutamos", disse. "Mas quando você tem um fascista no poder, você não pode brincar com o destino de um país do tamanho e da importância do Brasil."

O petista também reafirmou seu apoio para que o líder sem-teto seja eleito prefeito de São Paulo em 2024. "Queremos ver o Boulos daqui dois anos prefeitando São Paulo."

Boulos foi o último a discursar. Em sua fala, ele afirmou que a eleição presidencial "não está ganha", que é preciso ir às ruas e se mobilizar e que "salto alto é o nosso maior inimigo".

"Às vezes a gente dá uma tranquilizada e fica na zona de conforto quando vê uma pesquisa achando que já ganhou. Mas eu tenho 20 anos do MTST que me ensinaram a andar com pé no barro e não de salto alto", disse.

Ele ressaltou a importância de eleger uma bancada progressista para, além de eleger Lula, atuar pela "revogação da reforma trabalhista, do teto de gastos e dos retrocessos da reforma da previdência".

O líder sem-teto também criticou o presidente Bolsonaro afirmando que ele é o "pior presidente que o Brasil já viu". Além disso, criticou os ataques do chefe do Executivo às urnas eletrônicas.

"Bolsonaro vive falando de urna eletrônica, mas acho que ele não entendeu direito. Quando ele fala de urna eletrônica, ele está querendo dizer que é contra tornozeleira eletrônica, que é o que ele vai ter que usar ano que vem."

"Pela urna eletrônica ele se elegeu e será pela mesma urna eletrônica que ele vai sair derrotado no primeiro turno e que nós vamos eleger Lula", completou.