Brasil promete redução de 37% das emissões de gases até 2025

Por Ramon SAHMKOW
Dilma discursa na ONU

O Brasil reduzirá em 37% as emissões de gases do efeito estufa até 2025, e em 43% até 2030, anunciou neste domingo a presidente Dilma Rousseff durante a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

"Quero anunciar que será de 37% até a 2025 a contribuição do Brasil para a redução de emissão de gases do efeito estufa e para 2030 a nossa ambição é de redução de 43%", afirmou a presidente em discurso na sede de ONU, em Nova York.

O Brasil levará estas propostas à Conferência do Clima de Paris (COP21), que reunirá 195 países entre 30 de novembro e 11 de dezembro na capital francesa com o objetivo de limitar a um máximo de 2 graus o aquecimento do planeta em relação à temperatura da era pré-industrial.

Nessa cúpula, que segue a realizada em Lima em 2014, será uma "oportunidade única" para elaborar uma "resposta comum" para os desafios climáticos, ressaltou Dilma.

Segundo a presidente, o Brasil também vai se comprometer "em primeiro, com o fim do desmatamento ilegal no país. Segundo, a restauração e o reflorestamento de 12 milhões de hectares. Terceiro, a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradas. Quarto, a integração de 5 milhões de hectares de lavoura-pecuária-floresta".

"Continuaremos diversificando as fontes renováveis de nossa matriz energética, uma das mais limpas do mundo", garantiu.


Água, vento e biomassa

A proposta brasileira contempla metas ambiciosas metas para transformar mo uso do solo e aumentar a proporção de fontes limpas na matriz energética do país nos próximos 15 anos.

Dilma antecipou que até 2030, as fontes renováveis representarão 45% da matriz energética, enquanto 66% da eletricidade será gerada por energia hídrica e outros 23%, por outras fontes verdes, com vento e biomassa.

"Continuamos diversificando as fontes renováveis da nossa matriz energética, uma das mais limpas do mundo", afirmou.

Além disso, serão recuperados 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, 5 milhões destes, transformados em áreas de cultivo, pecuária e florestas.

As metas são um desafio para o Brasil, o maior país da América Latina, que sofre com o desmatamento ilegal em áreas remotas e de difícil acesso.

O Brasil já tornou público este ano seu compromisso de restaurar 12 milhões de hectares de florestas e eliminar o desmate ilegal na Amazônia até 2030.

Será preciso um esforço combinado de ações de vigilância militar e policial, com políticas para incentivar atividades substitutas, disse a presidente em posterior coletiva de imprensa na ONU.

"Está, provavelmente, entre os compromissos mais ambiciosos feitos por um país emergente e, inclusive, mais ambicioso que alguns dos países desenvolvidos", disse à AFP o diretor internacional do Greenpeace, Kumi Naidoo, que questionou que o plano proponha aguardar até 2030 para acabar com o desmatamento ilegal.


"Comuns mas diferenciadas"

Na Cúpula de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que termina neste domingo, Dilma manifestou o compromisso do Brasil com a agenda pós-2015 de desenvolvimento acordada na última sexta-feira para acabar com a pobreza nos próximos 15 anos.

"Esta agenda inovadora exige a solidariedade mundial, a determinação de cada um de nós e o compromisso de fazer frente ao aquecimento global, superando a pobreza e construindo oportunidades para todos", disse a presidente, que voltará a falar na Assembleia Geral da ONU na segunda-feira.

Referindo-se ao combate ao aquecimento global, Dilma pediu que as obrigações dos países "sejam ambiciosas" e estejam de acordo com o "princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas", um sinal para que os países industrializados realizem esforços proporcionalmente maiores do que os mais pobres.

A nova agenda é muito mais ambiciosa que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (2000-2015): contempla a participação dos países industrializados e, além da pobreza e da saúde, abordará assuntos como a boa governança, a igualdade de gênero e a luta contra a corrupção.

Especialistas calculam que serão necessários entre 3,5 e 5 trilhões de dólares anuais durante 15 anos para financiar a ambiciosa iniciativa.


Reunião com Hollande, Humala e Ban

Maior economia da América Latina, o Brasil reduziu as emissões de dióxido de carbono, que se mantiveram relativamente estáveis nos últimos anos - motivo pelo qual estima-se que atingirá a meta de ficar abaixo das 2 bilhões de toneladas definida para 2020, segundo estudos recentes.

Em Nova York, Dilma tem programado um almoço de trabalho para debater o aquecimento global com o presidente da França e anfitrião da COP21, François Hollande, com o presidente peruano, Ollanta Humala, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Ela também participará de um encontro sobre igualdade de gênero, e receberá o dono da Microsoft, Bill Gates e sua esposa Melinda. Na sexta-feira, a fundação Bill e Melinda Gates entrou com uma ação contra a Petrobras em um tribunal de Nova York alegando perdas de investimentos devido ao escândalo de corrupção na estatal.