Dilma quer diversificar comércio com a China

Ng Han Guan
AFP12 de abril de 2011
Dilma Rousseff e Hu Jintao, durante uma cerimônia de boas-vindas em Pequim
A presidente Dilma Rousseff propôs nesta terça-feira em Pequim um novo modelo de relação comercial com a China, baseado na cooperação tecnológica e no intercâmbio de produtos de alto valor agregado.

A presidente Dilma Rousseff propôs nesta terça-feira em Pequim um novo modelo de relação comercial com a China, baseado na cooperação tecnológica e no intercâmbio de produtos de alto valor agregado.

"O Brasil quer inaugurar uma nova etapa nestas relações, um salto qualitativo no modelo que tivemos até agora e que permitiu aos dois países passar de um volume de negócios de 2,3 bilhões de dólares em 2000 a 56,4 bilhões em 2010, e que no primeiro trimestre deste ano continuou crescendo exponencialmente", disse a presidente, que está em visita oficial ao país asiático.

Nos últimos dois anos a China se tornou o principal destino das exportações brasileiras e o maior investidor no Brasil, postos que haviam sido ocupados nos últimos anos por Estados Unidos e Espanha. Os investimentos chineses estão centradis nas áreas de petróleo, tecnologia agrícola e produção de soja.

"Precisamos ir além da complementaridade de nossas economias para favorecer uma relação dinâmica, diversificada e equilibrada", disse a presidente do Brasil no encerramento do fórum empresarial que reuniu os 240 empresários que a acompanham na viagem e dezenas de executivos chineses.

"A transformação da agenda (exportadora) com produtos de maior valor agregado é o desafio para os próximos anos e um dos pilares para a sustentabilidade da expansão do comércio bilateral", completou.

Atá agora, as exportações do Brasil para a China consistem essencialmente em commodities agrícolas e matérias-prima, em particular soja, minério de ferro, petróleo e celulose. Mas a presidente considera o futuro comercial com a venda de aviões da Embraer - terceira construtora aeronáutica mundial - ou veículos, assim como nos campos da exploração de petróleo - através da Petrobras - e da agrobiotecnologia.

Durante a viagem deve ser anunciada oficialmente a venda pela Embraer de 20 aviões do tipo E190 à empresa China Southern e outros 15 E190 para a Hebei, assim como a assinatura de um acordo com a Corporação da Indústria de Aviação Chinesa (AVIC) para a produção do Legacy 600 no país asiático.

Segundo fontes da delegação brasileira, o anúncio da compra de 1,4 bilhão de dólares será feito durante a visita da presidente a Pequim nesta terça-feira, em uma reunião com o chefe de Estado chinês, Hu Jintao.

Dilma também pretende promover a associação entre a segunda maior economia mundia, a China - 1,3 bilhão de consumidores -, e a oitava nas áreas de ciência, tecnologia e inovação com o desenvolvimento de produtos e tecnologias.

Para isto, recordou a necessidade de um "apoio institucional que dê expressão máxima ao caráter estratégico da nova relação".

Neste sentido, a presidente quer dar continuidade à cooperação espacial, com a qual os dois países já lançaram três satélites conjuntos e pretendem acelerar o lançamento do quarto.

Os satélites CBERS são usados para captar imagens da superfície da Terra que têm aplicações na agricultura e no controle do desmatamento, assim como das catástrofes naturais.

A presidente, acompanhada por vários ministros, também mencionou a colaboração em "grandes desafios" como a exploração e extração de petróleo em águas profundas, refino e desenvolvimento petroquímico.

Também pretende promover o desenvolvimento da agrobiotecnologa, da qual o Brasil é um dos países de ponta.

Durante a visita devem ser assinados vários acordos de tecnologia do petróleo, defesa, nanotecnologia, recursos hídricos, normas fitossanitárias, tecnologia agrícola e agricultura tropical, intercâmbios universitários, entre outros.