Dilma Rousseff foi alvo de espionagem dos Estados Unidos, segundo documentos






Documentos vazados por Edward Snowden, ex-técnico da Agência Nacional de Segurança Americana (NSA), indicam que a presidente Dilma Rousseff e seus assessores foram alvo de espionagem dos Estados Unidos em 2012. As informações foram divulgadas em uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo.

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As informações foram repassadas por Snowden ao jornalista Gleen Greenwald, com a intenção de revelar a prática de espionagem norte-americana, pouco antes de ficar 38 dias retido no aeroporto de Moscou, na Rússia.

Os dados obtidos pelo ex-técnico revelam que foram monitorados contatos de Dilma com seus assessores e ainda a comunicação destes assessores com terceiros. A apresentação do documento se chama “Filtragem inteligente de dados: estudo de caso México e Brasil”. De acordo com o documento, o programa de espionagem permite encontrar uma ‘agulha no palheiro’ sempre que for necessário.

O palheiro representa toda a massa de informações que circulam pela internet a cada segundo e que estão à disposição do serviço de espionagem norte-americano, como telefones, servidores de e-mail e redes sociais. Já a agulha é a pessoa escolhida para ser investigada.

O documento, datado de junho de 2012, indica os dois principais alvos da NSA na época: a presidente Dilma Rousseff  e o presidente do México, Enrique Peña Nieto, na época líder das pesquisas na disputa eleitoral. A investigação monitorou números de telefone, IP do computador pessoal de cada um e e-mails. O mesmo foi realizado com os assessores de cada um e ainda com os diálogos destes assessores com outras pessoas.

Métodos

Para espionar Enrique Penã Nieto, a NSA contou com uma série de programas. Um deles é o “mainway”, responsável por coletar um imenso volume de informações que circulam pela internet.

Mensagens de texto enviadas por telefone também foram interceptadas, desta vez pela utilização do programa “Association”, também utilizado para monitorar mensagens em redes sociais. Após uma captação inicial, as mensagens consideradas importantes passam por outro filtro o “Dishfire”.

Já na investigação de Dilma, os Estados Unidos batizaram a operação de “Goal”, cujo objetivo era “melhorar a compreensão dos métodos de comunicação e dos interlocutores da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e seus principais assessores”.

Com um programa chamado “DNI selectors” toda a atividade da presidente na internet foi monitorada, incluindo sites visitados e troca de e-mails pessoais.  Um gráfico ainda mostrava todos os contatos de Dilma com seus assessores. No final do relatório vazado por Snowden, os Estados Unidos afirmam que a união dos setores da NSA obteve sucesso ao descobrir dados de alvos importantes: Brasil e México.

Além disso, o crescimento do Brasil no mercado internacional é fator de preocupação para os norte-americanos. No relatório, o país aparece ao lado da Turquia, Egito, Índia, Irã e México como um risco para a estabilidade mundial. “Quando o país fica mais independente e mais forte, como o Brasil está, competindo com os Estados Unidos e suas americanas, o governo começa a pensar diferente sobre Brasil”, disse Glenn Greenwald, em entrevista ao Fantástico.

A interceptação pelos EUA de dados eletrônicos e de telefonia no Brasil já havia sido denunciada anteriormente. Na semana passada, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reuniu-se na Casa Branca com o vice-presidente norte-americano, Joe Biden, para tratar do tema.

Após tomar conhecimento das últimas denúncias, Cardozo disse à TV Globo que se confirmado o monitoramento das comunicações da presidente, representará "uma clara violação à soberania" brasileira.

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