Dilsinho conta como a chegada da filha o transformou: ‘Passei a ter uma responsabilidade com o que canto’

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Nos últimos meses, o mundo de Dilsinho vem ganhando novas cores. E não são apenas os tons bebê que ele escolheu para o quarto de sua primeira filha, Bella, de 4 meses. O período de isolamento na pandemia o fez pensar em uma nova versão de si, que ele já começa a apresentar aos fãs. Antes da paternidade e das novas produções, o cantor passou um tempo transformando o que vinha fazendo, incorporando outras nuances que formam agora um artista mais consciente.

— Eu estava acostumado a cumprir minha agenda de shows, além de rádio e TV. Você acaba entrando no automático ao finalizar um trabalho, entregar e ir para o próximo. Não sabia o que fazer, se continuava lançando um álbum ou se parava. Comecei a refletir muito sobre minhas realizações profissionais e aí fui pai nesse meio tempo. Justamente por isso, fiquei ainda mais certo de que meus projetos daqui para frente precisam ser coisas em que eu realmente me envolva, que tenham um porquê. Precisam contar histórias minhas, dos meus fãs e das pessoas envolvidas — resume o músico, de 29 anos.

Essa nova consciência já está presente no mais recente trabalho de Dilsinho, o álbum e série documental “Garrafas e bocas”, que terá a sua quarta e última parte lançada no mês que vem, junto com o primeiro show, no Espaço Hall, no dia 10 de dezembro. Ele gravou em bares e criou uma maneira de doar e ajudar financeiramente os espaços durante a pandemia. O pagodeiro adianta, aliás, que pretende aparecer de surpresa para tocar em alguns dos bares onde gravou, plano que ainda não executou por ter medo de provocar aglomerações.

Nesse pacote de mudanças, os fãs que já conferiram o novo álbum provavelmente perceberam uma pegada diferente daquele pagode romântico que estavam acostumados a ouvir. A essência de Dilsinho permanece, mas mesclada agora a outras mensagens que ele quer passar.

— A canção “Reality show” fala da exposição que a gente vive na internet, sobre dividir quase 100% da nossa vida nos stories do Instagram. Acho importante falar de assuntos com os quais a gente possa somar de forma positiva. As oportunidades que eu tiver para fazer as pessoas refletirem, eu vou aproveitar. Nem sempre é possível manter a privacidade. E até que ponto nossa saúde mental aguenta tudo isso? Na pandemia, fomos colocados à prova sobre quem aguenta mais tempo bem, com a cabeça no lugar e com o corpo são — reflete ele.

Participar de um reality show, por exemplo, está fora de cogitação para ele.

— Prefiro que Boninho me chame para os programas de música. Se me convidasse para ser jurado, eu estaria lá — sugere Dilsinho, imaginando seu fracasso certo num confinamento como o do “BBB”: — Não conseguiria ficar muito tempo longe da família. E imagina se acontece alguma coisa na casa e fico sem café? Não consigo!

O artista quer ter o controle do café que toma e do que expõe sobre sua vida. Nas redes sociais, conta ter extremo cuidado com o que compartilha, especialmente sobre a rotina familiar com a mulher, Beatriz Ferraz, e a bebê. Se as duas não estão sempre no seu feed, na vida real eles estão sempre juntos e são só chamego.

— Procuro levar para o público só o que as pessoas à minha volta querem — justifica.

A chegada de Bella também inspirou seu lado compositor. Dilsinho não imaginou que escreveria uma canção para seu pequeno novo amor tão rápidamente. A música está pronta, mas ele diz que não pretende lançar. Aos leitores da Canal Extra, no entanto, ele mostra essa declaração de amor em forma de canção (confira a letra e ouça abaixo).

— Fiz para ela, mas não tenho a pretensão de promover isso. Foi muito de coração. Não sou um compositor de fazer muita coisa autobiográfica. Não me pressionei a fazer música para minha filha, por exemplo. Mas aconteceu e fiquei bastante emocionado — assume ele, que não cria expectativas para que a menina siga a carreira artística do pai, algo não muito raro no meio musical: — Pretendo criá-la o mais livre possível. Ela tem que fazer suas escolhas. Não partiria de mim indicar o caminho para ela seguir, mostrar um violão... Só se algum dia for da vontade dela. Eu ouço música em tudo que eu faço na minha vida. Gosto de ouvir no carro, no banho. Ela acaba compartilhando isso comigo também. Às vezes, escolho músicas que acho que ela vai gostar, como PJ Morton, por exemplo. Mas sei que daqui a pouco aqui em casa vai ser só Galinha Pintadinha (risos).

Nessa estreia como pai de menina, ele se sente cada vez mais transformado pela paternidade:

— Tenho uma responsabilidade no que eu canto a partir de agora. Ter uma mulher chegando em casa traz sempre um aprendizado.

Uma consequência disso já surtiu efeito na prática. Dilsinho trouxe mais mulheres para sua banda, que tocaram nos lançamentos de “Garrafas e bocas” e depois foram chamadas para integrar o time nos shows com ele. Em meio a um gênero musical que conta ainda com poucas mulheres, ele é um dos que torcem por uma mudança de cenário, principalmente no pagode romântico.

— As mulheres estão cada vez mais presentes em tudo, e dentro do pagode também. Temos muitas musicistas mulheres tocando muito bem. Com certeza, o fato de eu ter sido pai de menina me fez pensar em ter mais mulheres presentes no trabalho. A música nos bares não é feita só de homens. Nada é. Foi uma vibe tão diferente quando gravamos, que eu acabei convidando elas também para a estrada — conta o cantor.

As mudanças na vida de Dilsinho extrapolam o universo musical. Ele quer abrir espaço para novas paixões em sua vida e na carreira, como a moda. Recentemente, lançou sua linha de roupas, a House Collection’, por enquanto vendida apenas pela internet e só com peças masculinas. Mas a coleção feminina está vindo por aí.

— Ainda é um projeto embrionário. É uma linha de roupas street. A ideia começou porque as pessoas olhavam minhas roupas e curtiam. Perguntavam de onde era. Aí pensei: ‘‘Por que eu não tenho uma linha minha?’’. Penso em fazer coisas maiores na moda, lançar linhas que tenham a ver comigo, explorar meu lado empreendedor — planeja Dilsinho, que se diz antenado: — Sempre gostei de saber o que estava acontecendo no mundo da moda. Mas nunca tive oportunidade de trabalhar e voltar minha atenção para isso. Como a gente não estava com shows, o que mais um artista poderia fazer? Começamos a investir tempo e recurso nisso.

Que ele tem talento também para o empreendedorismo ninguém discute. No último ano, seu escritório só cresceu, e hoje cuida da carreira de artistas como Alok, Mumuzinho, Maiara e Maraisa, Zé Neto e Cristiano, entre outros grandes, inclusive da cantora Marília Mendonça, morta tragicamente num acidente aéreo, na última sexta-feira.

Paralelamente, o músico ainda vai se testando em outras posições. Recentemente, estreou como apresentador substituindo a campeã do “BBB 21”, Juliette, no comando do “TVZ”, do Multishow. A responsabilidade de assumir o posto logo após o fenômeno midiático que é a paraibana não o amedrontou. E ele elogia a advogada.

— Admiro muito a Juliette pela força e por ser tão talentosa. O público fervoroso dela me recebeu com carinho. E o fato de ser um programa ao vivo traz uma responsa ainda maior. Espero que ela volte para cantar comigo no fim da temporada, vou fazer esse convite — avisa ele, opinando sobre o lançamento de Juliette como cantora e sem deixar de dar seus pitacos como administrador de carreiras: — Achei muito legal e penso que ela vai se conhecer a cada dia. Eu me lembro do meu primeiro álbum, por exemplo, e vejo que o primeiro trabalho dela está incrível. Lembro as inquietudes que a gente tem nesse momento. Ela nunca tinha subido ao palco ou ido gravar. Ainda vai se conhecer muito. E Juliette ainda tem o lance de uma pressão que ela mesmo carrega. Sabe da responsabilidade do que ela comunica, o número de pessoas com quem fala, sempre quer dar o melhor dela... Tenho certeza de que vai fazer muita música ainda...

São histórias inspiradoras como a de Juliette, que misturam enredos de vida como fã e como ídolo, que ele pretende explorar cada vez mais. Exatamente como acontece em seu próximo álbum de inéditas, gravado com o Sorriso Maroto, grupo com quem vai sair em turnê a partir de janeiro do ano que vem. Foi num show deles, na Região dos Lagos do Rio, ainda na adolescência, que Dilsinho concluiu que queria ser artista e tocar em um palco como aquele. Agora, ele vai dividi-lo com seus ídolos.

— Lembro a primeira vez em que falei com o Bruno (Cardoso, vocalista). Entrei em contato com ele para que produzisse meu primeiro CD. Eu tremia, suava, não conseguia nem falar direito. Mas a afinidade foi muito grande. Aí, você vê seus ídolos virando seus amigos e pensa que a vida é muito doida mesmo — reflete o cantor, que conseguiu ter Bruno já como produtor nesse primeiro álbum.

Desde então, eles nunca mais perderam contato. O que confirma que a vida pode dar voltas, você pode mudar de posição, conquistar sonhos que já foram inimagináveis um dia... O importante é dançar conforme a sua música. A trilha sonora da sua vida se tranforma, e você se tranforma com ela. Como Dilsinho.

Letra de canção para Bella

Vou cuidar

De você, meu amor...

Vigiar

O teu sono de flor...

Não há monstro

Além do tempo

Que corre depressa demais...

Teu sorriso

Que vi crescendo

Transforma meu mundo em paz...

De colar, de sandália e batom

Tua voz vai ganhar outro som...

De pouquinho em pouquinho,

Eu vou te soltar a mão, vai doer...

No altar

De aliança e véu

Pedacinho do meu viver...

Vou cuidar

De você, meu amor...

Créditos do ensaio

Foto @euthiagobruno

Stylist @salisabarbosa

Beleza @karobeauty_

Produção de Moda @naylemme

Tratamento de Imagem @henriquebmx2

Comunicação @soubpmcom

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