Dimas Covas dá 'banho de água fria' e considera 'precoce' falar em reabertura de SP

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Dimas Covas deu
Dimas Covas deu "banho de água fria" nas previsões otimistas (Rahel Patrasso/Xinhua via Getty Images)
  • Covas considerou que São Paulo ainda vive os primeiros passos na redução dos casos e mortes

  • Por isso, avaliou que é precipitado planejar reabertura ou realização de grandes eventos

  • Opinião rebate o que haviam declarado o prefeito Ricardo Nunes e o governador João Doria

Presidente do Instituto Butantan e membro do Centro de Contingência ao Coronavírus, Dimas Covas deu um “banho de água fria” nas pretensões do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e considerou “muito precoce” planejar a reabertura dos serviços não essenciais em São Paulo.

Em entrevista ao UOL, o especialista apontou que será necessário observar a evolução do combate à Covid-19 passo a passo, o que torna impossível pensar em eventos de grande aglomeração, como Réveillon e Carnaval.

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"É muito precoce. Não sabemos o que vai acontecer. O grande aprendizado atual é o seguinte: a pandemia não é uma situação matemática. Temos que observar dia a dia”, declarou.

Na semana passada, Nunes havia dado previsão bastante otimista ao dizer que “a princípio” a cidade provavelmente liberaria a realização de festas na virada do ano e no Carnaval. “Existe uma grande possibilidade favorável”, disse.

Ricardo Nunes havia feito previsão otimista - Foto: Governo de São Paulo/Divulgação
Ricardo Nunes havia feito previsão otimista - Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

Covas, porém, apontou que outras previsões de reabertura foram feitas desde o início da pandemia, e que não puderam ser concretizadas justamente pela imprevisibilidade do vírus.

"No ano passado, muitos falavam que a pandemia acabaria em setembro, outubro. Ela piorou em novembro e abril deste ano foi o mês mais grave da pandemia. Tivemos quase o dobro de casos e óbitos do ano passado. Ainda veio a variante Delta, nova, precisamos ver o comportamento, o que vai acontecer. Ela apresenta problemas com algumas vacinas —não com a CoronaVac. É muito precoce”, considerou.

Covas rebate previsão de Doria 

Além de Nunes, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), chegou a dizer na última terça-feira que o estado viveria a reabertura gradual de público em eventos a partir de outubro.

Covas também considerou precipitada a afirmação e apontou que São Paulo está apenas agora “começando a ver” os efeitos da vacinação, e em “ambiente de controle”.

Doria também havia se mostrado otimista sobre a reabertura em SP (Nelson Almeida/AFP via Getty Images)
Doria também havia se mostrado otimista sobre a reabertura em SP (Nelson Almeida/AFP via Getty Images)

“Estamos em ambiente de medidas de restrição, tendo um efeito claro da vacinação. O que não se pode fazer é uma reabertura generalizada, que aí corremos o risco de fazer o que aconteceu em outros países.”

O especialista explicou, ainda, o que considera necessário para que aconteça esta reabertura gradual. "Nós precisamos descer os números de casos, óbitos e internações, mas descer substancialmente, e aí, sim, pensar em aberturas mais amplas.”

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