Dimas Covas diz que CoronaVac é menos vulnerável a novas variantes da Covid-19 que outras vacinas

Dimitrius Dantas
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SÃO PAULO — O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, admitiu preocupação com o impacto que o surgimento de novas variantes do coronavírus pode ter na eficácia das vacinas, mas afirmou que as características da CoronaVac minimizam a chance de problemas.

Covas participou nesta sexta-feira do lançamento do Projeto S, estudo clínico que será realizado na cidade de Serrana e planeja imunizar a maioria da população da cidade para avaliar o impacto da vacina em toda uma cidade.

— Temos agora uma variante que é considerada brasileira, começou no Amazonas, e potencialmente pode trazer problemas para algumas vacinas, principalmente para aquelas que são baseadas na proteína S. Incluém-se nesse tipo de vacina a vacina da AstraZeneca, da Pfizer, a Sputnik, da Rússia, e a da Johnson. Todas elas poderão ter problemas com essas variantes — afirmou Dimas Covas.

A CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o órgão paulista, usa um método diferente dessas vacinas. As vacinas citadas por Dimas Covas usam uma tecnologia de vetor viral: os genes do coronavírus são introduzidos em outro vírus, alterado geneticamente para não se multiplicar. A tecnologia é considerada mais moderna.

— A vacina do Butantan é diferente. É baseada no vírus inteiro inativado. O vírus foi quebrado nos seus pedaços e esses pedaços formam a vacina. Quando o indivíduo recebe esses pedaços do vírus, ele produz uma resposta imunológica ampla — afirma.

A CoronaVac usa o vírus inativado, que é um método mais tradicional embora tenha se demonstrado com eficácia menor nos testes clínicos da Covid-19. A maioria das vacinas em uso atualmente usa formas inativadas de vírus. Nesse caso, o vírus inativa não consegue se replicar, mas sua presença ativa o sistema imunológico.

Segundo Covas, por causa disso, a chance da CoronaVac ter sua eficácia cancelada com novas variantes é menor.

— A chance dessa vacina ter problema com as variantes é menor do que as demasi que são baseadas em unico pedaço do vírus. Preocupa? Sim. Vamos monitorar, estamos fazendo esse monitoramento — afirma.

Durante o evento, o diretor do Instituto Butantan ainda demonstrou dúvidas sobre a capacidade do Brasil conseguir vacinar 80% da população até o ano, número considerado necessário para atingir a imunidade de rebanho.

Dimas Covas foi questionado sobre a afirmação do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que afirmou que o país vacinaria a "população elegível" até dezembro. Segundo Covas, entretanto, ainda não está claro de onde virão todas as vacinas necessárias para atingir essa meta.

— Para atingirmos 80% de vacinação, que é o que se esperaria para obter a chamada imunidade de rebanho, teríamos que ter 340 milhões de doses. Nesse momento, esse quantitativo, embora numericamente possa já estar contratado, ele ainda não existe de fato, não existe de forma efetiva. A única vacina disponível em grande quantidade no Brasil é a vacina do Butantan — afirmou.

Segundo Covas, a partir do dia 23 de fevereiro, o Instituto Butantan começará a disponibilizar, diariamente, 600 mil dose por dia para o Programa Nacional de Imunizações. Entretanto, ainda não há informações claras da quantidade da vacina Oxford/AstraZeneca que será ofertada pela Fiocruz até o final do ano.

— Serão necessárias outras vacinas e a grande dúvida é qual vai ser a contribuição da Fiocruz nesse processo. Essa é a dúvida, qual o quantitativo que teremos além dessas 100 milhões de doses do Butantan. Essa afirmação do ministro precisa ser respaldada em fatos que até o momento ainda não existem — disse Dimas Covas.