Diniz quer Paulistão definido no campo ou sem campeão, contra favorecimento ao Santo André

Fernando Diniz admite que precisa de um título para se consolidar. Foto: Marcello Zambrana/AGIF

Fernando Diniz ganhou a confiança da maioria dos torcedores do São Paulo com as últimas atuações da equipe. Depois de uma resistência inicial, o treinador foi melhorando o trabalho e conseguiu resultados com bons desempenhos do time. Mesmo com a paralisação do futebol pela pandemia do coronavírus, Diniz acredita que o SP possa retomar o bom futebol, no retorno das competições.

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O blog participou da entrevista exclusiva de Diniz ao Esporte Interativo e traz os principais destaques do bate-papo com o treinador.

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Você acha que tem setores que estão pressionando pela volta do futebol?

Isso pode estar acontecendo, também pela preocupação com a economia, mas a primazia tem que ser a saúde das pessoas. É uma situação inédita nestas relações. Ninguém sabe o tamanho do problema, como controlar o vírus. O São Paulo FC está de parabéns e está agindo com bom senso. A prudência é a minha maneira de ver. O futebol não pode ficar apartado da sociedade. Enquanto não temos o controle, a gente tem que se precaver e agir com ponderação. Me sinto desconfortável em não poder trabalhar, mas não é por um desejo pessoal que eu vou querer voltar a trabalhar, sem ser a melhor maneira para este momento.

Se os Estaduais forem cancelados, o Santo André deve ser o campeão paulista pela melhor campanha?

De maneira alguma. Desta forma, não acho que tenha que haver campeão. Se não tiver andamento no campeonato, tem que ficar sem campeão. Acho que caberá agenda para os estaduais, com mais cinco ou seis datas, fazendo seus jogos locais. Daquilo que pode ser realizado no futebol, acho que o Paulista pode ser retomado e eu gostaria que isso acontecesse. Acho indelicado analisar se o SP já poderia ter sido campeão, se o campeonato já tivesse terminado também.

Você gosta do “Dinizismo”, termo usado para definir teu trabalho?

É muito difícil avaliar sobre esses termos. Jamais imaginei que alguém falaria isso. Há pessoas que gostam do meu trabalho, outras nem tanto. Também tem aquela questão dos resultados,conforme você ganha ou perde. Quero que o futebol seja pautado sobre minhas ideias e minha vida. Os conceitos que eu acho que são para viver bem, eu aplico no futebol. Futebol foi o meio onde consegui forjar meus valores morais e procuro devolver isso para o futebol. Nos meus times, tento fazer com que haja senso coletivo e que possamos colocar nossas angústias para fora. Em linhas gerais, tento fazer com que o jogador coloque tudo para fora e de maneira positiva isso parta para a arquibancada. A parte estética e bonita do jogo fazem parte do futebol para mim. No mundo competitivo, estamos ali para vencer, mas gosto de uma maneira que agrade o torcedor para conseguirmos o resultados, também muito importantes.

Você precisa de um título para deslanchar na carreira?

Em parte sim. O SP é o maior campeão que a gente tem no país. Se acostumou muito a ganhar. A pressão é natural pela necessidade de ganhar. Eu também preciso ganhar títulos, mas não dá para se reduzir a isso. A gente não controla quem ganha título ou jogo. Não enaltecemos muito o trabalho e dedicação, os meios desenvolvidos para ganhar. Tudo que a gente faz é para isso e as vezes os resultados não vêm. Não podemos desconsiderar os trabalhos dignos que são feitos para você alcançar os resultados. Futebol e a vida não são assim. Acredito que quem trabalha desta forma, a curto e médio prazo, aumenta as chances de ganhar.

Quando os jogadores do SP pediram tua contratação foi pelo trabalho técnico ou por você compreendê-los como atletas também?

Sua pergunta é muito pertinente. As coisas estão muito entrelaçadas. O ganho técnico deles é por conta da maneira que eu consigo compreendê-los. Alguns jogadores não tinham trabalhado comigo, mas sabiam que tinham dificuldades contra meus times. Aí viram que isso era legal. Cheguei pelas mãos de quem eu tinha que chegar, em primeira instância. Adoro jogadores de futebol e procuro devolver aquilo que me instigou a ser jogador. Conheço um pouco mais a alma dos jogadores porque vi muito sofrimento e talentos desperdiçados no meu entorno. A gente acha que jogador de futebol não é uma pessoa normal. Ninguém tem preocupação moral e educacional com o jogador, só com a questão técnica e onde ele poderá chegar. Jogador não é uma máquina e nesse processo a gente perde muita gente.

Anthony volta a jogar contigo ou vai direto para o Ajax?

Espero que sim. O campeonato holandês foi encerrado e a gente não sabe quando volta o futebol. Não sei quanto tempo o Anthony vai ficar conosco. Espero que ele fique porque é um grande jogador e muito diferente.

Você estaria aberto para o retorno do zagueiro Miranda? Buscaria no aeroporto)

Totalmente aberto(risos). Totalmente.

Você e o Thiago Nunes não têm boa relação pelo fato dele não ter valorizado teu trabalho no Athletico?

Não. Ele sempre esteve muito próximo a mim, acompanhando sempre o trabalho. Tudo que eu pude fazer para ajudá-lo no Sub-23, eu fiz. Acho que o presidente Petraglia acertou ao colocá-lo no meu lugar para dar sequência e conseguir fazer um grande trabalho.

No Paulista, o São Paulo é líder do seu grupo e tem a terceira melhor campanha no geral. Na Libertadores, tem três pontos em dois jogos.

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