Dino dá prazo para Anderson Torres voltar ao Brasil e diz que pode pedir extradição aos EUA

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse nesta sexta-feira que se o ex-ministro Anderson Torres não se apresentar à Polícia Federal até a próxima segunda-feira, um pedido de extradição pode ser enviado ao governo dos Estados Unidos, onde ele está passando férias. Suspeito de ter se omitido durante as invasões de 8 de janeiro, enquanto ocupava o cargo de secretário de Segurança do Distrito Federal, Torres teve sua prisão determinada pelo STF na segunda-feira.

Investigação: Moraes autoriza novo inquérito que mira Ibaneis, Torres e outras autoridades do DF

Em mensagem pelas redes sociais, na terça-feira, Torres disse que iria interromper suas férias e retornar ao Brasil, o que ainda não ocorreu.

— Caso na próxima semana essa apresentação não se confirme, é claro que por intermédio dos mecanismos de cooperação jurídica internacional, nós vamos deflagrar os procedimentos voltados para a realização da extradição — disse Dino.

A suspeita de Moraes ao determinar a prisão é que Torres, na função de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, tenha sido um dos responsáveis pelas falhas no esquema de segurança que resultou na invasão dos prédios dos Três Poderes no domingo.

A Polícia Federal cumpriu busca e apreensão na residência dele em Brasília na terça-feira. Entre os documentos encontrados está uma minuta de decreto presidencial que sugeria ao ex-presidente Jair Bolsonaro uma espécie de intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que poderia abrir caminho para interferir no resultado da eleição presidencial. No Twitter, Torres alegou que o documento estava, "muito provavelmente", em uma "pilha para descarte" e que o material seria levado "para ser triturado oportunamente".

Dino também informou, durante coletiva de imprensa após um evento que homenageou as forças de segurança envolvidas nas investigações, que mais de mil celulares foram apreendidos com os invasores. Os dados serão analisados por peritos federais.

Na tarde desta sexta-feira, o ministro vai entregar à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) o exemplar da Constituição que foi roubado durante as depredações. O documento foi recuperado pela PF após um cidadão procurar uma delegacia em Varginha, Minas Gerais, para entregá-lo, segundo contou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, também presente na entrevista coletiva. Segundo Rodrigues, o homem que levou o documento prestou depoimento, mas não foi preso.