Dino diz que mais de 1.500 pessoas foram presas após atos de vandalismo nas sedes dos Poderes

No dia seguinte aos ataques terroristas às sedes dos Três Poderes, o ministro da Justiça, Flávio Dino, declarou nesta segunda-feira que o país já caminha para uma "absoluta normalização institucional". Para exemplificar o que classificou como "normalização", Dino fez um balanço das ações realizadas desde ontem à noite. O ministro informou que ocorreram ao todo 1.509 prisões desde ontem - 1.200 entre os acampados no QG do Exército, e outros 209 na Praça dos Três Poderemos.

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— Nosso país já caminha para uma absoluta normalização institucional — disse Dino. Ele acrescentou: — Podemos afirmar que golpistas, terroristas, criminosos em geral não obtiveram êxito nos seus intentos de ruptura da legalidade. Nesse aspecto, o pior já passou — afirmou.

Segundo ele, a Polícia Rodoviária Federal desmobilizou nove bloqueios de bolsonaristas em rodovias federais e apreendeu 40 ônibus que transportavam manifestantes dos atos de ontem. Em um deles, foi encontrada uma arma de fogo, "o que mostra uma preparação de atos de violência", ressaltou ele.

--- O tempo de flagrância passou. Agora as prisões devem ser preventivas ou temporárias --- completou o ministro.

Cinquenta equipes da Polícia Federal foram destacadas para colher os depoimentos e digitais dos 1.200 detidos que foram mandados para a Academia Nacional da Polícia Federal, em Brasília.

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Responsabilizações

O ministro da Justiça afirmou que haverá investigação sobre autoridades locais que eventualmente possam ter facilitado o acesso do grupo terrorista dentro dos prédios do Congresso, do Planalto e do Supremo Tribunal Federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal ontem, sob a acusação de leniência dos policiais militares. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, também determinou o afastamento do governador Ibaneis Rocha por 90 dias.

— Nós vimos a manifestação de um ódio às instituições que foram tão duramente atacadas nos últimos anos. Vimos a materialização do discurso de ódio que não era anedótico, como alertamos nesses anos todo. Palavras têm poder e essa palavras se transformaram em ódio e destruição — afirmou ele, completando: — Não tenho dúvidas que nós vivemos ontem o Capitólio brasileiro.