Dino vê erro político de Ibaneis ao nomear Torres devido a seus 'antecedentes'

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, foi preso ao chegar no Brasil, neste sábado (14) - Foto: REUTERS/Adriano Machado
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, foi preso ao chegar no Brasil, neste sábado (14) - Foto: REUTERS/Adriano Machado

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou neste sábado que a nomeação de Anderson Torres como secretário de Segurança Pública do Distrito Federal foi um "erro político" cometido pelo governador Ibaneis Rocha. Segundo o ministro, Torres, preso nesta manhã pela Polícia Federal, ao desembarcar em Brasília de um voo que saiu de Miami (EUA), tinha antecedentes "muito ruins".

Segundo Flavio Dino, entre os "antecedentes" de Anderson Torres, um deles foi a não intervenção nos bloqueios nas estradas, quando este era ministro da Justiça. Dino também citou a abertura de investigação, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), dos institutos de pesquisa durante a campanha eleitoral e a "instrumentalização" da Polícia Federal. Torres foi secretário de Segurança do DF antes de se tornar ministro do Bolsonaro e, no dia 2, voltou para a antiga função.

— Não posso afirmar que alguém cometeu um crime sem a conclusão de uma investigação. No mínimo houve um erro político do governador. E não porque Torres era adversário do governo federal — disse Dino em entrevista à GloboNews.

— Nos dias que antecederam aos eventos do dia 8, eu falei não apenas com o governador Ibaneis, mas também com os governadores aliados de Bolsonaro, de São Paulo, [Tarcisio de Freitas], e do Rio [Claudio Castro] [aliado de Bolsonaro]. Os antecedentes [de Torres] eram muito ruins — afirmou Dino.

Ibaneis Rocha foi afastado do cargo por 90 dias em um processo de intervenção federal decretado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no último domingo, após as depredações em prédios públicos por bolsonaristas radicais. Já a prisão de Anderson Torres foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.