Dino diz que país teve tentativa de destruição do Estado Democrático: 'Já identificamos os financiadores'

Em sua entrevista, ele eximiu o governo federal das responsabilidades pelas invasões

O ministro da Justiça, Flávio Dino, classificou na noite deste domingo os atos de vandalismo como "grave destruição do Estado Democrático de Direito". Em uma entrevista na sede da sua praça, ele fez um resumo do que se sabe dos atos terroristas em Brasília. Dino disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro é o "responsável político" pelos atos terroristas.

—Tivemos hoje, tecnicamente, uma tentativa muito grave de destruição do Estado Democrático de Direito — afirmou.

Na sua declaração, Dino explicou os preparativos para o protesto e disse que há cerca de 200 presos. E indicou que houve alguma falha de planejamento:

— Nos dias que antecederam a esses episódios, inéditos na vida brasileira, houve uma preparação que se baseou nas responsabilidade constitucionais do governo do Distrito Federal. Não obstante este entendimento, nós tivemos uma mudança de orientação administrativa ontem, em que o planejamento, que não comportava a entrada de pessoas na Esplanada, foi alterado na última hora

Dino foi forte com o governo local:

— Havia por parte do governo do Distrito Federal uma visão que a situação estaria sob controle. O governador Ibaneis, com toda certeza, ao efetuar um pedido de desculpas públicas aos chefes dos Poderes da União está reconhecendo que algo deu errado. Quero crer que o governador vai apurar responsabilidades.

Em sua entrevista, ele exime o governo federal das responsabilidades pelas invasões:

— Nós organizamos o que nos cabia. A Polícia Federal não é uma polícia ostensiva. Eu determinei a convocação ontem da Força Nacional, para que houvesse um complemento. A Força Nacional é um complemento da ação da polícia local. Propusemos ao presidente da República e ele acolheu a decretação da intervenção federal na segurança pública. Porque, obviamente, havia alguma anomalia

Flávio Dino, ministro da Justiça, fez um balanço das prisões, e disse que elas seguem:

— Nós temos aproximadamente 200 pessoas presas em flagrante. E as prisões em flagrante continuam. Temos aproximadamente 40 ônibus apreendidos. Porque esses ônibus são instrumento de perpetuação de crimes. Já identificamos todos os ônibus que se dirigiram à Brasília, e todos os financiadores de tais ônibus. Ainda há pessoas, neste instante, na internet, falando em continuidade dos atos terroristas. E não conseguirão destruir a democracia brasileira

O ministro disse que haverá mais reforços de segurança:

— Concluo dizendo que nós adotamos, estamos adotando nessa noite, mais providências visando o reforço da segurança da capital da República. (...) Alguns governadores estão cedendo policias.

Flávio Dino, ministro da Justiça, afirmou que Anderson Torres já é ex-secretário e que não foi bom o ex-ministro "ultrabolsonarista" do governo anterior assumir o cargo que tinha antes no primeiro mandato de Ibaneis no DF:

— Neste caso, não há dúvida que administrativamente não foi a melhor decisão (nomear Anderson de volta).

Na mesma fala, o ministro das Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou que os atos tinham como objetivo “mobilizar outros atos, inclusive pelo país, que pudessem mobilizar um golpe que não reconhecesse o resultado eleitoral do país”.

Bolsonaro

Questionado sobre a responsabilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro nos atos terroristas, Dino foi duro com o político do PL:

— Politicamente é claro que, na medida que houve o que houve, ou seja, uma transição conflituosa, e que não houve um reconhecimento do resultado eleitoral e, pelo contrário, houve uma instigação para acreditar em esoterismos, teses exóticas, estranhas, agressivas, é claro que a responsabilidade política (de Jair Bolsonaro) é inequívoca. Responsabilidade jurídica, aí obviamente cabe ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, e não a mim apurar. E aí dependeria da investigação mostrar alguma coisa que não está ainda evidente. Eu não vejo, neste momento, qualquer elemento de responsabilização jurídica do ex-presidente da República. Poderá aparecer? Sim, poderá. Mas neste momento não há. Responsabilidade política, sim. Todos aqueles que querem polarizar, instigar a prática de crimes, extremismos, são politicamente responsáveis, por ação ou por omissão.