Diocese de Limeira, em SP, afasta terceiro padre por escândalo de pedofilia

Henrique Gomes Batista e Gustavo Schmitt

SÃO PAULO. A Diocese de Limeira, no interior de São Paulo, determinou nesta sexta-feira a suspensão do padre Diego Rodrigo dos Santos. De acordo com comunicado assinado pelo bispo José Roberto Fortes Palau, a decisão foi tomada após o recebimento de denúncias de pedofilia e abusos sexuais contra o padre. A suspensão ocorre em paralelo às investigações que já resultaram no afastamento de outros dois religiosos.

O padre Diego era responsável pela Paróquia São Sebastião, naquela cidade. O comunicado da Diocese não detalha as acusações contra ele, apenas informa que, para o caso, foi levado em conta o Motu Próprio “Vos estis lux mundi” (Vós sois a luz do Mundo). Trata-se de norma editada por Francisco em maio do ano passado para combater o abuso sexual e garantir que os bispos e superiores religiosos sejam responsabilizados por suas ações. O GLOBO apurou que o padre estaria envolvido também em crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes.

No momento, padre Diego informou pela assessoria da Diocese que não se manifestaria.

Entre o fim de 2018 e começo de 2019, a Diocese de Limeira foi marcada por uma série de denúncias de pedofilia, abusos sexual, desvios de recursos e extorsão financeira sobre padres. Na época, O GLOBO noticiou mais de uma dezena de casos de vítimas que relataram abusos. Colegas de Padre Diego afirmavam, sob sigilo, que ele seria namorado do padre Leandro Ricardo, estopim das investigações e denúncias que se abateram sobre a Diocese.

O caso levou ao afastamento do padre Leandro Ricardo, acusado de assédio sexual de ex-coroinhas. O bispo da região, acusado por muitos de acobertar e até obter vantagens financeiras com isso, dom Dom Vilson Dias de Oliveira, renunciou após ser investigado, inclusive pela polícia. Ambos negam as acusações.

Poucas semanas após a queda de dom Vilson, a Diocese de Limeira ainda afastou o padre Felipe de Moraes Negro da função de pároco da Paróquia Santa Isabel de Portugal. Neste caso, apenas por suspeita de desvio de verba.

Na quinta-feira, a Arquidiocese de São Paulo, também seguindo orientações do Papa, decidiu criar uma comissão para apurar supostos casos de abusos cometidos por religiosos. “Estabeleceu o Papa que todas as Dioceses e também as Congregações e Ordens Religiosas e as Sociedades de Vida Apostólica devem promover iniciativas para prevenir e combater os abusos sexuais. Estabeleceu ainda que sejam estabelecidos sistemas acessíveis para que as pessoas possam fazer denúncias, se tiverem alguma queixa sobre abusos sexuais, ou estiverem informadas sobre algum fato de abuso sexual cometido por clérigo ou membro de comunidade religiosa”, afirmou o documento assinado pelo Cardeal Odilo P. Scherer, arcebispo de São Paulo.