Diplomatas perdem a paciência com inação dos políticos libaneses

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Uma visão geral mostra os silos de grãos danificados no porto da capital libanesa, Beirute, em 13 de junho de 2021, quase um ano após a enorme explosão de 4 de agosto que matou mais de 200 pessoas

Os representantes estrangeiros no Líbano deixaram de lado a diplomacia para criticar a má administração, a inação e a prevalência do interesse próprio sobre o geral, expressando sua raiva com líderes que exigem ajuda sem fazer nada para tirar o país do caos.

Diante da pior crise socioeconômica de sua história, os partidos políticos libaneses estão envolvidos há quase um ano em negociações intermináveis para formar um novo governo, que deve adotar reformas indispensáveis destinadas a desbloquear a ajuda internacional.

Enquanto a mídia local reporta as brigas políticas, o Líbano entra em colapso: a libra libanesa continua a se depreciar, a inflação aumentou, a pobreza aumentou, a eletricidade é escassa e o fornecimento de combustível é missão impossível, sem mencionar as restrições bancárias draconianas.

"Observamos que há uma grande frustração com relação à classe política, incapaz de colocar o interesse geral antes de seus interesses pessoais", disse à AFP uma fonte diplomática francesa.

"Há uma disponibilidade internacional para ajudar o Líbano. Infelizmente, não podemos fazê-lo porque não temos interlocutores ou temos interlocutores que não têm absolutamente nenhum meio ou vontade de agir", acrescentou o diplomata.

Para a opinião pública libanesa, a crise, uma das piores do mundo desde 1850, segundo o Banco Mundial, reflete a corrupção e a incompetência de uma elite política dominada há décadas pelas mesmas famílias.

Diante desta paralisia das instituições, o chefe da diplomacia da União Europeia, o espanhol Josep Borrell, disse na segunda-feira que a UE preparava sanções concretas contra os líderes libaneses para o fim de julho.

"Será uma ferramenta útil para pressionar as autoridades libanesas a avançar na composição do governo", explicou Jean-Yves Le Drian, ministro das Relações Exteriores da França, país que organizará no final do mês uma nova conferência com a ONU sobre o Líbano.

Esta reunião será uma oportunidade para abordar as "consequências humanitárias da paralisia política", disse um funcionário da ONU à AFP.

Mas a ajuda da comunidade internacional tem um "limite de tempo", porque "de forma alguma pretende substituir as responsabilidades do Estado libanês", alertou.

O primeiro-ministro em exercício, Hassan Diab, apelou recentemente aos embaixadores em Beirute por ajuda financeira.

"O empobrecimento brutal" e o colapso do Líbano são "o resultado deliberado da má gestão, da inércia durante anos", respondeu a embaixadora francesa no país, Anne Grillo, que apontou para a classe política.

- Impunidade -

Para um diplomata árabe em Beirute, "a principal estratégia" dos líderes é deixar "a comunidade internacional agir" e ajudá-los sem concessões.

Diante da severidade do bloqueio, os embaixadores da França e dos Estados Unidos no Líbano visitaram a Arábia Saudita na semana passada para pedir ao governo saudita que pressionasse os líderes libaneses a tomar medidas contra uma crise que diplomatas sentem na pele.

"A eletricidade foi cortada na minha residência esta manhã", disse o embaixador do Japão, Takeshi Okubo, no Twitter, lembrando a escassez que os hospitais devem sofrer.

O próximo dia 4 de agosto marca o primeiro aniversário da explosão no porto de Beirute, que deixou mais de 200 mortos e destruiu bairros inteiros.

Antes de deixar o Líbano no início de julho, o encarregado de negócios britânico Martin Longden denunciou que "algo está podre no coração do Líbano".

"O fato de que até agora ninguém foi responsabilizado pela explosão desastrosa no porto é apenas o exemplo mais dramático da impunidade e irresponsabilidade que caracterizam a vida libanesa", disse Londgen.

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