Direita mantém capital político na internet mesmo com coronavírus

FÁBIO ZANINI
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 15.03.2020 - Ato a favor de Bolsonaro e contra o Congresso. (Foto Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A atual crise do coronavírus parece não ter erodido muito o “capital digital” da direita.

O termo, criado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP-FGV), é um índice que mede o desempenho de atores políticos em redes sociais.

No Twitter, é calculado com base na média de retuítes de cada publicação. No Facebook, é a soma de reações, comentários e compartilhamentos. E no YouTube, a média de visualizações de vídeos nos canais dos parlamentares.

Quanto maiores esses critérios, maior o score, começando em zero e indo até a casa dos milhares de pontos.

Pelos cálculos do DAPP, a direita bolsonarista segue com o maior capital social nas três redes, segundo medição feita entre os dias 10 e 17 de março.

No Twitter, hoje a rede social mais presente no varejo da discussão política, quem lidera é o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP), um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro na Câmara e figura de proa na formação do novo partido Aliança Pelo Brasil. Marca exatos 17.228 pontos.

Ele é seguido por dois filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

No centro, quem tem maior capital digital é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que chega a 11.204 pontos. E na esquerda, Jandira Feghali (PC do B-RJ), com 5.719.

Uma ressalva que o estudo faz é que, embora o capital digital da direita seja maior, ela tem mais dificuldades de furar bolhas. Centro e esquerda têm conseguido ampliar sua mensagem para um público maior no debate sobre a pandemia.

Já no YouTube, quem lidera é o gaúcho Marcelo Brum (PSL), outro que deve migrar para o Aliança. Uma curiosidade é que nesta rede social, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) aparece em terceiro lugar na direita, embora tenha rompido com Bolsonaro.

Já no centro, destaca-se um deputado que até outro dia era considerado direitista, Kim Kataguiri (DEM-SP). Na esquerda, quem se destaca é Gleisi Hoffmann, presidente do PT. Mas ambos com pontuação abaixo da dos líderes da direita.

Por fim, o mesmo se repete com o Facebook. Carla Zambelli (PSL-SP), ex-líder do movimento Nas Ruas e expoente da tropa de choque de Bolsonaro, é quem mais consegue engajamentos, seguida por outra fiel escudeira do presidente, Bia Kicis (PSL-DF).

No centro, o líder é Sargento Fahur (PSD-PR), e na esquerda, novamente Jandira.

Os dados obviamente não permitem dizer quem sairá vitorioso ao fim da guerra de discursos do coronavírus.

Mas sem dúvida dão um certo alento à direita bolsonarista, depois da saraivada de críticas dos últimos dias pelos erros na condução da crise.