Diretor de bateria da Gaviões da Fiel é afastado após suspeita de agressão contra ex-mulher em SP

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O agora ex-diretor de bateria da escola de samba Gaviões da Fiel, de São Paulo, é suspeito de agredir a ex-companheira, com a ajuda da atual namorada, em frente aos filhos da vítima. O caso ocorreu no último dia 29 em Osasco (Grande SP). Parte da violência foi registrada por um vizinho, com um celular.

Claudimir Antonio Teixeira, 46 anos, afirmou nesta quinta-feira (9) que irá esclarecer o caso à Justiça, sem dar mais detalhes sobre o ocorrido. Ele foi afastado de seu cargo de diretor da escola de samba, nesta semana. A entidade delibera sobre a expulsão dele da agremiação.

A explosão de violência doméstica no estado de São Paulo, durante a pandemia, fez a PM implantar a patrulha Maria da Penha, em abril deste ano.

Sua ex-companheira, a empreendedora Mayara Duarte Calderone, 37 anos, afirmou à reportagem, também nesta quinta, que sua filha e filho -- de 8 e 9 anos, respectivamente -- passaram o fim de semana na capital paulista com Teixeira, que é pai das crianças.

Pelo fato de existir uma medida protetiva contra ele, expedida pela Justiça em 2018, o ex-diretor só pode se aproximar de Mayara em até 50 metros de distância.

"Quando ele fica com as crianças, combino por email os horários para não correr o risco de a gente se encontrar", explicou a empreendedora.

No domingo, ela diz ter enviado pelo celular um email ao ex-diretor da Gaviões, sugerindo que ele deixasse as crianças no condomínio de Osasco, por volta das 22h. Porém, eles acabaram se encontrando, quando Mayara chegava ao condomínio, pouco antes do horário sugerido para deixar as crianças no local.

Teixeira estava acompanhado da namorada, de 27 anos, com a qual teria ofendido Mayara, disse ainda a vítima. "Não lembro com nitidez de tudo, sei que a namorada dele falou dos meus filhos, já vindo para cima de mim. Eu não tenho sangue de barata. Quando vieram para cima, me defendi", explicou a empreendedora.

Conforme o registro feito com celular, o ex-diretor e a namorada chegam a bater a cabeça de Mayara algumas vezes na carroceria de um caminhão estacionado. O suspeito também aparece arrastando-a pelos cabelos, quando ela cai no chão.

"Fiquei atordoada e só consigo me lembrar de quando ele [suspeito] estava com o joelho em cima de mim, caída com a cara no chão. Ele fez isso na frente de nossos filhos", acrescentou a vítima, ressaltando que o fim da agressão não foi registrado em vídeo.

Ela enviou fotos à reportagem, feitas logo após o ocorrido, em que aparece com o rosto machucado e inchado. Mayara acrescentou ter perdido também "muito cabelo."

Após a violência, Teixeira e a namorada saíram do local, enquanto Mayara foi sozinha para o hospital, onde foi medicada e liberada. Ela deixou os filhos aos cuidados de um funcionário do prédio onde mora.

No dia seguinte, uma segunda-feira (30), Mayara foi por volta das 10h à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Osasco, especializada em atender vítimas de violência doméstica.

Porém, ela afirma ter sido mal atendida por um policial, que teria a desincentivado a formalizar a denúncia. Por causa disso, Mayara foi para o 8º DP, na mesma cidade, onde o caso foi formalizado em um boletim de ocorrência.

"Na DDM, um policial homem me atendeu, foi péssimo, parecia que eu estava pedindo um favor para ele, que se negava em registrar o BO. Ficou fazendo uma monte de perguntas. Por fim, resolvi ir para o 8º DP, onde o tratamento foi outro", diz a empreendedora.

Ela nunca se casou com Teixeira, mas manteve uma união estável com ele por 13 anos. "Ele sempre foi uma pessoa agressiva, mas não comigo, pelo menos fisicamente. O comportamento dele mudou com o tempo e piorou quando terminei com ele", explicou Mayara.

O casal rompeu em janeiro de 2018, quando Teixeira acabou saindo de casa, momento em que a vítima afirma ter começado a receber ameaças, além de sofrer perseguição. Por causa disso, a Justiça determinou, em junho do mesmo ano, que Teixeira não se aproximasse mais da ex-companheira.

O casal de suspeitos é investigado por violência doméstica, lesão corporal, injúria, difamação além de, no caso de Teixeira, descumprimento de medida protetiva de urgência.

A Gaviões da Fiel lamentou o caso, afirmando não compactuar com "nenhum tipo de violência".

"Vamos imediatamente afastar o diretor de suas funções e encaminhar o caso para nosso conselho deliberativo para a expulsão do quadro associativo da entidade. A violência contra a mulher é algo inaceitável e não aceitaremos jamais esse tipo de conduta", diz trecho de nota, enviada nesta quinta-feira, pela assessoria de imprensa da Gaviões da Fiel Torcida.

Nas redes sociais, a agremiação publicou um cartaz incentivando a denúncia de violência contra mulheres.

Sobre o mal atendimento relatado por Mayara, na DDM de Osasco, a SSP (Secretaria da Segurança Pública), gestão João Doria (PSDB), lamentou o ocorrido, acrescentando já tomar "medidas cabíveis" com relação ao funcionário, sem especificar quais.

"A Corregedoria da instituição, inclusive, está à disposição da vítima para a formalização da denúncia. Em relação ao caso, ele é investigado por meio de inquérito instaurado pelo 8º DP de Osasco. Diligências estão em andamento para esclarecer os fatos", diz nota.

Entre janeiro e julho deste ano, a pasta registrou 29.307 casos de lesão corporal dolosa (com intenção) contra mulheres no estado de São Paulo. Isso representa um aumento de 5% em relação às 27.895 ocorrências do tipo registradas no mesmo período do ano passado.

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