AIEA confirma que Irã aumentou seu estoque de urânio enriquecido

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O diretor da AIEA, Rafael Grossi, em evento na sede da agência, em Viena, Áustria, em 8 nov. 2021 (AFP/JOE KLAMAR)

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) divulgou nesta quarta-feira (17) um aumento significativo na quantidade de urânio altamente enriquecido produzido nos últimos meses pelo Irã, dias antes da visita de seu chefe a Teerã e depois da retomada das negociações para ressuscitar o acordo de 2015.

O diretor da AIEA, Rafael Grossi, chegará ao Irã na noite de segunda-feira (22) para discutir o programa nuclear do país - anunciou nesta quarta (17) um porta-voz da Organização Iraniana de Energia Atômica, citado pela agência de notícias iraniana Fars.

Grossi se reunirá na terça-feira (23) com o diretor desta organização, Mohammad Eslami, e com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Hossein Amir Abdollahian, acrescentou a mesma fonte.

O Irã disse ter convidado Grossi, após a preocupação expressa pelo chefe da agência da ONU diante da falta de contatos com líderes iranianos em relação à questão nuclear.

A última visita de Grossi a Teerã aconteceu em 12 de setembro, data em que se reuniu apenas com o chefe da organização iraniana de energia atômica.

Na ocasião, o chefe da AIEA negociou um acordo sobre a manutenção do equipamento de vigilância do programa nuclear iraniano. E deveria voltar logo depois para falar com o governo, que assumiu em agosto passado.

Segundo um relatório da AIEA, consultado pela AFP nesta quarta-feira, o Irã aumentou de forma significativa a quantidade de urânio altamente enriquecido produzido nos últimos meses, em violação dos compromissos assumidos no acordo internacional de 2015.

De acordo com estimativas do início de novembro, o Irã aumentou seu estoque de urânio enriquecido para 60%, muito acima do limite autorizado de 3,67%, para 17,7 quilos, contra 10 quilos no final de agosto, descreve o documento.

O estoque de urânio enriquecido a 20% passou, por sua vez, de 84,3 quilos para 113,8 quilos.

- Falta de acesso -

A AIEA reclama desde setembro de não ter a autorização "essencial" para acessar o complexo da Tesa, localizado em Karaj, próximo a Teerã, onde funciona uma oficina de fabricação de peças para centrífugas.

Essa falta de acesso "afeta seriamente" sua capacidade de controle, lamenta a agência em documento divulgado nesta quarta-feira.

Por outro lado, Grossi "rejeitou categoricamente" o possível uso de câmeras de vigilância da AIEA pelos perpetradores de um ataque a uma instalação nuclear iraniana, como sugeriu Teerã.

O Irã alegou em 23 de junho que frustrou uma operação de "sabotagem" atribuída a Israel contra uma instalação da Organização de Energia Atômica Iraniana.

Uma câmera foi destruída e outra foi gravemente danificada por este incidente, e a agência quer consertá-las.

Outro ponto tenso citado pela agência nesta quarta-feira e que preocupa Grossi é "o caso de fiscais submetidos a revistas excessivamente invasivas por seguranças".

- Reinício das negociações -

O novo deslocamento de Grossi se dará antes da retomada das negociações entre o Irã e as grandes potências em 29 de novembro, em Viena, para tentar salvar o acordo internacional sobre energia nuclear iraniana concluído em 2015.

As negociações entre Teerã e as outras partes (Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia) para relançar este pacto histórico estão suspensas desde junho. Em tese, o acordo limitaria, drasticamente, o programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções econômicas.

Depois de se retirarem unilateralmente do acordo, em 2018, e de restabeleceram as sanções contra o Irã, os Estados Unidos participarão indiretamente dessas negociações.

O Irã exige o retorno dos americanos e o levantamento das sanções que sufocam sua economia em troca de voltar a respeitar as limitações acertadas em 2015.

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