Diretor da ANP pediu para sair porque entendeu que 'ciclo dele está encerrado', diz ministro

RIO - O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou na noite desta quarta-feira que o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Décio Oddone, decidiu antecipar sua saída do cargo por entender que “o ciclo dele está encerrado” e que seria bom dar oportunidade ao governo de indicar uma nova direção para a agência no início do ano. O ministro disse que um susbstituto será definido até fevereiro.

Em entrevista ao programa Central Globo News, o ministro afirmou que Oddone o procurou para manifestar a intenção de deixar a agência no início de 2020, apesar de o seu mandato terminar em dezembro.

Segundo Albuquerque, outros dois diretores da agência terminam seus mandatos este ano. Um dos argumentos de Oddone para antecipar sua saída é dar ao governo a chance de indicar um novo diretor-geral antes de trocar os outros nomes da cúpula da ANP, disse o ministro.

— Acabou o ciclo pessoal dele. Ele entendeu que o ciclo dele está encerrado — disse o ministro, acrescentendo que Oddone concordou com o pedido dele de fazer o anúncio hoje, mas permanecer no cargo até a definição do nome do seu sucessor. — Três diretores da ANP serão substiuídos este ano e ele era o último. Ele entendeu que seria melhor o governo indicar primeiro o diretor-geral e os próximos diretores.

Segundo Albuquerque, o governo vai definir em fevereiro o nome do substituto de Oddone e também do de um dos diretores da agência cujo mandato termina em março. Ele afirmou que o governo não tem pressa porque o processo de escolha “vai ser muito bem analisado”.

O ministro disse que a decisão final será do presidente Jair Bolsonaro, mas que vai seguir a orientação dele para buscar a sugestão de um nome de perfil técnico, sem vinculação político-partidária.

O mesmo para o cargo de diretor que ficará vago. Uma vez aprovada por Bolsonaro, a indicação dos novos diretores será levada ao Senado, que sabatina e chancela a indicação de dirigentes de agências reguladoras.

— Vou sugerir um perfil técnico ao presidente, que atenda à agenda atual da ANP.

Albuquerque elogiou Oddone e revelou que, quando da sua posse em janeiro de 2019, o executivo havia colocado seu cargo à disposição:

— Queria dizer da dignidade que o Décio teve quando assumi o ministério. Ele disse: ministro, se o governo entender que seria interessante ter um novo diretor-geral na ANP, estou disposto a colaborar. Fique à vontade.

Albuquerque afirmou que achou importante mantê-lo porque o novo governo teria muitos desafios na área de petróleo e gás em 2019, como a realização do megaleilão do pré-sal, das áreas da chamada cessão onerosa, em novembro.