Diretor da CIA conversa com chefe de espionagem de Putin sobre armas nucleares e prisioneiros

Diretor da CIA William Burn

Por Guy Faulconbridge e Humeyra Pamuk

LONDRES/WASHINGTON (Reuters) - O diretor da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, William Burns, alertaria nesta segunda-feira o chefe de espionagem de Vladimir Putin sobre as consequências de qualquer uso de armas nucleares e levantaria a questão dos prisioneiros norte-americanos em detenções russas, disse um porta-voz da Casa Branca.

No primeiro contato de alto nível conhecido entre EUA e Rússia desde a invasão da Ucrânia comandada por Putin em 24 de fevereiro, Burns estava em Ancara nesta segunda-feira para se encontrar com Sergei Naryshkin, chefe do serviço de inteligência estrangeira SVR da Rússia.

"Ele não está conduzindo negociações de nenhum tipo. Ele não está discutindo a resolução da guerra na Ucrânia", disse o porta-voz da Casa Branca, falando sob condição de anonimato.

"Ele está transmitindo uma mensagem sobre as consequências do uso de armas nucleares pela Rússia e os riscos de escalada para a estabilidade estratégica", afirmou o porta-voz. "Ele também abordaria os casos de cidadãos norte-americanos detidos injustamente."

O Kremlin confirmou que houve conversas entre Rússia e EUA em Ancara, informou a agência de notícias Tass, citando o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Burns, ex-embaixador dos EUA na Rússia que foi enviado a Moscou no final de 2021 pelo presidente dos EUA, Joe Biden, para alertar Putin sobre o acúmulo de tropas na Ucrânia, não está discutindo um possível acordo para a guerra na Ucrânia, disse o porta-voz da Casa Branca.

"Informamos a Ucrânia com antecedência sobre a viagem. Mantemos firmemente nosso princípio fundamental: nada sobre a Ucrânia sem a Ucrânia."

Putin tem dito que a Rússia defenderá seu território com todos os meios disponíveis, incluindo armas nucleares, se for atacado. Putin diz que o Ocidente se envolveu em chantagem nuclear contra a Rússia.

As declarações levantaram uma preocupação particular no Ocidente depois que Moscou declarou em setembro que havia anexado quatro regiões ucranianas das quais suas forças controlam partes.