Diretor da ONU lamenta fracasso do multilateralismo diante da pandemia

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(Arquivo) O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez uma avaliação dura nesta segunda-feira (12) sobre o fracasso da comunidade internacional em uma ação coordenada de enfrentamento da pandemia, observando que o multilateralismo falhou tanto na distribuição de vacinas quanto nas medidas de retomada econômica.

"Promover uma resposta e uma recuperação global equitativa da pandemia é colocar o multilateralismo à prova", afirmou Guterres em um discurso ao Fórum de Financiamento para o Desenvolvimento desse organismo mundial.

"Até agora, é um teste em que falhamos", ressaltou.

O chefe das Nações Unidas apontou, como exemplo dessa falha, que apenas uma dezena de países estão recebendo cerca de 75% das vacinas disponíveis no mundo.

"Muitos países ainda não começaram a vacinar seus profissionais de saúde e os cidadãos mais vulneráveis", explicou Guterres.

"Uma lacuna global da vacina ameaça a saúde e o bem-estar de todos", acrescentou. E pediu: "Precisamos de acesso equitativo às vacinas para todos, em todos os lugares".

Uma "falta de solidariedade" semelhante na frente da recuperação econômica significa enormes disparidades entre os países enquanto lutam contra a pandemia, informou Guterres.

Embora algumas nações tenham mobilizado pacotes de ajuda de vários trilhões de dólares, muitos países em desenvolvimento enfrentam "dívidas intransponíveis que colocarão [as Metas de Desenvolvimento Sustentável da ONU] completamente fora de alcance se não forem corrigidas", acrescentou Guterres.

Mesmo em 2019 - antes da pandemia - 25 países gastavam mais com o serviço da dívida do que com educação, saúde e serviços sociais combinados, explicou o chefe da ONU.

De acordo com Guterres, "a assistência ao desenvolvimento é necessária mais do que nunca", e ele pediu aos doadores e as instituições internacionais que "deem um passo adiante".

As Nações Unidas elogiaram o apoio do G20 ao adiamento da suspensão temporária dos pagamentos do serviço da dívida, mas pediram "uma nova prorrogação até 2022".

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