Diretor da PF indicado por Bolsonaro quer controlar investigações de autoridades

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Paulo Maiurino, chefe da PF (Foto: Assembleia Legislativa de São Paulo/ Divulgação)
Paulo Maiurino, chefe da PF (Foto: Assembleia Legislativa de São Paulo/ Divulgação)
  • Diretor da PF indicado por Jair Bolsonaro quer tirar autonomia de delegados nas investigações com foro especial

  • Paulo Maiurino enviou documento ao STF em que propõe reestruturação na PF para controlar esse tipo de investigação

  • Na prática, medida concede superpoderes ao próprio chefe da PF

Após pedido da Polícia Federal para apurar crimes do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), o diretor-geral da corporação, Paulo Maiurino, propôs uma reestruturação interna no órgão que tira a autonomia de delegados nas investigações de autoridades com foro especial e pode conceder superpoderes ao próprio chefe da PF.

A manifestação consta em documento enviado ao STF.

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Na sexta-feira (21), ministros da Corte votaram a anulação do acordo de delação de Sérgio Cabral, que relatou os supostos crime de corrupção cometidos por Toffoli. Na sessão, o ministro Gilmar Mendes indicou a necessidade da instauração de uma investigação do delegado federal que pediu o inquérito contra Toffoli.

À Folha de S. Paulo, investigadores afirmaram que veem na proposta um ataque do novo chefe da polícia às recentes ações do órgão. Eles dizem também que se trata de uma tentativa de controle de apurações por parte do diretor-geral.

A PF afirma que não há prejuízo à autonomia de delegados. No documento, Maiurino informa que a “direção da Polícia Federal vem estudando a implementação de mecanismos de supervisão administrativa e estruturação organizacional nos moldes daqueles adotados pela Procuradoria-Geral da República”.

O modelo sugerido pelo diretor prevê que todos os inquéritos que tramitam no STF e no Superior Tribunal de Justiça passam por pessoas indicadas e de confiança do procurador-geral da República.

Na opinião do diretor-geral, indicado em abril pelo presidente Jair Bolsonaro, a medida seria necessária para a “melhor supervisão das investigações”, de modo a evitar o “ajuizamento de medidas” que refletem “tão somente o posicionamento individual de autoridades policiais”, mas que estão “em dissonância da posição institucional da PF”.

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