Diretor da Prevent nega ter demitido médicos que não prescreveram tratamento precoce

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  17-08-2021 - O senador Renan Calheiros (FOTO) (MDB-AL) é o relator da CPI. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 17-08-2021 - O senador Renan Calheiros (FOTO) (MDB-AL) é o relator da CPI. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em depoimento à CPI da Covid, nesta quarta-feira (22), o diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, negou que tenha demitido algum médico da empresa pela recusa em prescrever o "kit Covid".

Batista Júnior foi questionado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) se algum profissional foi exonerado ou constrangido por não adotar o tratamento precoce.

"Nenhum médico foi constrangido, uma vez que esses dados e essas imagens de anônimos estão tentando apenas usurpar o nome da empresa e sua idoneidade. Esses médicos foram excluídos da empresa por graves falhas éticas e morais, como invasão de prontuários e tratamento inadequado de pacientes, muitos deles com queixas em compliance", afirmou o diretor da Prevent.

Renan rebateu dizendo que as informações tentam encobrir demissões "por perseguição", fato também negado pelo médico.

"É, e isso, tal qual os prontuários falsificados encobriam a causa mortis, essas informações tentam encobrir a demissão por perseguição, porque se recusaram a prescrever o remédio", afirmou Renan.

Mais tarde, Batista Júnior foi novamente questionado, desta vez pelo senador Humberto Costa (PT-PE), e reafirmou que ninguém foi demitido por se recusar a prescrever o "kit Covid".

O diretor afirmou que, apesar de ter havido orientação que salientava "a importância do tratamento precoce", a decisão de prescrever ou não era do médico, que tinha autonomia para isso. "É tudo pautado na decisão entre médico e paciente", reforçou.

CÓDIGO DE DIAGNÓSTICO

O diretor reconheceu que a operadora alterava em seus hospitais o código de diagnóstico, chamado CID, de pacientes infectados pelo novo coronavírus após uma certa quantia de dias internados.

Batista Júnior buscava esclarecer uma mensagem presente no dossiê entregue por médicos da operadora à CPI no qual apontam irregularidades. A mensagem foi divulgada a pedido do presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM).

"Bom dia. Precisamos padronizar o CID B34.2 para todos, para todos os pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19 para que estes possam ser adequadamente contabilizados independente do status de exame ou da unidade. Reforce com os médicos do pronto atendimento para preencher a solicitação corretamente e corrijam as solicitações incorretas. Após 14 dias do início, pacientes de enfermaria, apartamento, ou 21 dias, pacientes com passagem em UTI, leito híbrido, o CID deve ser modificado para qualquer outro, exceto B34.2, para que possamos identificar os pacientes que já não têm mais necessidade de isolamento. Início imediato", afirmava a mensagem.

Questionado sobre o assunto, Batista Júnior não negou e deu mais detalhes, acrescentando que os pacientes tinham o código de diagnóstico modificado, deixando de serem considerados como infectados pelo coronavírus.

"Perfeito. A mensagem é clara: todos os pacientes com suspeita ou confirmados de Covid, na necessidade de isolamento, quando entravam no hospital, precisavam receber o B34.2, que é o CID de Covid, e, após 14 dias, ou 21 dias, para quem estava em UTI . Se esses pacientes já tinham passado dessa data, o CID poderia já ser modificado, porque eles não representavam mais risco para a população do hospital", afirmou o diretor da operadora.

A confirmação irritou os senadores, que apontaram existência de crime.

"O senhor, como médico, é inacreditável", afirmou Otto Alencar (PSD-BA), que é médico. "O senhor realmente não tem condição de ser médico com a desonestidade que eu vi agora. Sinceramente, sinceramente, modificar o código de uma doença é um crime. Infelizmente, o Conselho Federal de Medicina não pune o senhor."

Humberto Costa sugeriu que se tratava de uma maquiagem nas informações. "Na verdade, o que está acontecendo é que eles consideram que, depois de 14 dias, esse paciente não tem mais Covid ou que, depois de 21 dias, ele não tem mais Covid. Essas pessoas que morreram, morreram de complicações de quê? De Covid! Então, é Covid", afirmou.

O relator Renan Calheiros disse que é "óbvia a falsificação" e a "fraude" que o depoente confirmou.

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