Diretor da Prevent Senior nega estudo com kit covid e diz que médicos manipularam dados de pacientes

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Diretor da Prevent Sênior, Pedro Benedito Batista Júnior, em depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Diretor da Prevent Sênior, Pedro Benedito Batista Júnior, em depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Sênior, Pedro Benedito Batista Júnior, afirmou nesta quarta-feira (22) em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado que funcionários divulgaram dados manipulados de pacientes. O executivo é ouvido hoje pela CPI sobre irregularidades praticadas pela operadora durante a pandemia.

"Ex-médicos da Prevent manipularam dados de uma planilha interna de acompanhamento de pacientes para tentar comprometer a operadora. Os profissionais, já desligados, passaram a acessar e editar o documento, culminando no compartilhamento da planilha com a advogada em 28 de agosto", alegou.

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Segundo Pedro Batista Júnior, a operadora “vem sofrendo acusações infundadas”.

No depoimento, ele negou também que pacientes tenham recebido cloroquina e ivermectina sem consentimento prévio.

A CPI da Covid recebeu um dossiê elaborado por 15 médicos que trabalharam para a Prevent Senior. O grupo de médicos acusa a empresa de coagir profissionais a aplicarem nos pacientes medicamentos do chamado kit covid, que são comprovadamente ineficazes contra a covid-19. O conjunto de remédios, ineficazes contra a covid-19, inclui a cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e a azitromicina.

Os documentos apontam que alguns pacientes citados no estudo sequer consentiram com a participação. De acordo com relatos, a Prevent Sênior ocultou mortes de pessoas que tomaram o kit covid para comprovar a eficácia dos medicamentos contra a covid.

Brazil's President Jair Bolsonaro holds a box of chloroquine outside of the Alvorada Palace, amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak in Brasilia, Brazil, July 23, 2020.REUTERS/Adriano Machado     TPX IMAGES OF THE DAY
Brazil's President Jair Bolsonaro holds a box of chloroquine outside of the Alvorada Palace, amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak in Brasilia, Brazil, July 23, 2020.REUTERS/Adriano Machado TPX IMAGES OF THE DAY

Benedito, por outro lado, afirmou na CPI que os pacientes que recebiam os medicamentos eram comunicados. “Quando foram feitos estudos, sim, todos os pacientes receberam um termo esclarecido. Nós temos todos os termos.”

No depoimento, ele afirma que os pacientes não foram feitos de cobaia.

“Não houve testagem em massa. Em momento algum foi incitada uma situação como essa”, disse.

A operadora de saúde teria usado esse estudo com pacientes para basear as declarações do presidente Jair Bolsonaro, entusiasta do uso de remédios como a hidroxicloroquina. Ontem, em discurso na ONU, Bolsonaro aproveitou para defender o “tratamento precoce” com medicamentos.

De acordo com o dossiê, a declaração de óbito da mãe do empresário Luciano Hang, Regina Hang, foi fraudada para não prejudicar a divulgação do kit covid. Pedro Benedito não quis comentar o caso na CPI.

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