Diretor fala sobre comandar Harry Styles em ‘My policeman’: ‘sua fama me ajuda mais que atrapalha’

2022 é o ano de Harry Styles. Além de lançar seu terceiro disco solo, "Harry’s house", e uma turnê internacional que chega ao Brasil em dezembro, o artista viu sua carreira como ator se consolidar com o lançamento de dois filmes: o polêmico (pelas histórias dos bastidores) "Não se preocupe, querida", de Olivia Wilde; e o drama LGBTQIA+ "My policeman", de Michael Grandage, que faz sua estreia hoje no streaming do Amazon Prime Video.

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Terceiro filme do ex-One Direction, "My policeman" conta a história do casal Tom (Styles) e Marion (Emma Corrin), cujas vidas mudam radicalmente com a chegada de Patrick (David Dawson). Patrick e Marion desenvolvem uma amizade de imediato, mas aos poucos a relação entre ele e Tom vai crescendo e se transforma em algo que eles não conseguem controlar.

Grandage lembra que cresceu em uma Inglaterra como a do filme, que se passa no final dos anos 1950 e início dos 1960, em que a homossexualidade ainda era criminalizada. Assumidamente gay, ele comemora que os tempos mudaram e que hoje a situação é muito melhor, mas que ainda é necessário continuar conversando sobre isso.

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— Espero poder mostrar para os jovens sobre uma época em que a lei impedia as pessoas de se expressarem livremente sobre sua sexualidade. Quero que o filme mostre que precisamos seguir em frente e não voltar ao que era antes — diz o diretor e produtor em conversa via Zoom.

O cineasta britânico celebra a oportunidade de ter um nome como Styles em sua obra, mesmo sabendo que com isso desperta uma atenção que às vezes pode ser problemática. Recentemente, a presença de Styles ajudou a transformar o lançamento e os bastidores de "Não se preocupe, querida" em um verdadeiro circo de mídia, com boatos envolvendo desde um romance com a diretora Olivia Wilde, que encerrou um noivado com o ator Jason Sudeikis, a um possível cuspe do cantor em Chris Pine durante o Festival de Cinema de Veneza, o que foi desmentido por todas as partes.

— Foi muito fácil trabalhar com Harry, é muito trabalhador e tem uma ética profissional incrível. Sempre soube que trabalhar com uma pessoa com uma grande fama internacional seria algo que eu teria que lidar e aceitar dentro do projeto. Mas me parece claro que as vantagens são bem maiores do que os problemas — conta Grandage. — Harry vem com um apoio jovem massivo, e acho muito importante que o máximo de jovens e adolescentes conheçam essa história. Então, sua fama internacional me ajuda enormemente, mais do que atrapalha.

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Exibido nos festivais de Toronto e do Rio, "My policeman" ganhou a atenção da mídia por causa de Styles, mas também pela presença de algumas cenas de sexo. Grandage não fica chateado ao ver as cenas de sexo "roubando o foco" de sua história no noticiário.

— Acho que é inevitável. O sexo é o ato mais privado possível para a maioria das pessoas, então jogá-lo na tela grande sempre irá repercutir. Mas não me incomodo de falarem mais sobre as cenas de sexo — aponta. — Ainda existe muito preconceito no mundo, e espero que as pessoas que são moderadamente preconceituosas possam assistir ao filme e perceber que elas não têm nada a temer. É tudo parte de um diálogo, uma forma de criar um mundo em que as pessoas sejam menos preconceituosas.

O diretor comemora o fato de seus três atores terem se mostrado muito abertos para as cenas de sexo, e ressaltou que o filme contou com um coordenador de intimidade e que todas as cenas foram ensaiadas e coreografadas para deixar todos no set confortáveis. Ele lembra que indicou três filmes para seus atores assistir para melhor entender o que pretendia com as cenas de intimidade: "Hiroshima, meu amor", de Alain Resnais; "O criado" (1963), de Joseph Losey; e "Inverno de sangue em Veneza" (1973), de Nicolas Roeg.

— Os três atores estavam completamente disponíveis a contar essa história através desses momentos de intimidade — diz. — Avisei a todos desde o início do projeto que queria que as cenas de sexo fossem importantes e fortes narrativamente. Eu queria que fossem parte da história, que a fizesse avançar.