Diretor-geral da PRF vira réu por improbidade após pedir votos para Bolsonaro

Silvinei Vasques, diretor-geral da PRF, é acusado de ter usado o cargo e a imagem da corporação em benefício de Jair Bolsonaro (Foto: Divulgação/PRF)
Silvinei Vasques, diretor-geral da PRF, é acusado de ter usado o cargo e a imagem da corporação em benefício de Jair Bolsonaro

(Foto: Divulgação/PRF)

  • Diretor-geral da PRF se torna réu por improbidade administrativa;

  • A Justiça ainda não decidiu de Silvinei Vasques é ou não culpado;

  • Ação foi movida pelo MPF sob o argumento de que ele fez uso indevido do cargo.

O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, se tornou réu por improbidade administrativa. A ação, movida pelo Ministério Público Federal contra Vasques, foi aceita pelo juiz José Arthur Diniz Borges, da 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro.

O pedido do MPF foi apresentado no último dia 15 sob o argumento de que o diretor-geral fez uso indevido do cargo e da imagem da PRF para “favorecer o candidato à reeleição” à Presidência, Jair Bolsonaro (PL)

O documento aponta que Silvinei “manifestou apreço” e pediu votos ao mandatário nas redes sociais e em eventos públicos oficiais, utilizando “o mais importante cargo da hierarquia” da PRF em benefício do político. Além de “configurar crime eleitoral”, a atitude viola “os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade”.

A Justiça ainda não determinou se Silvinei é ou não culpado.

O MPF também pediu o afastamento de Silvinei do cargo de diretor-geral por 90 dias. Mas como ele entrou de férias um dia após a solicitação, o juiz decidiu ouvi-lo antes de tomar uma decisão.

O Ministério Público, entretanto, deve recorrer da decisão do juiz, pedindo um prazo menor para Silvinei se manifestar, segundo a apuração da GloboNews.

Diretor-geral pode ir para fora do país

A cúpula da PRF prevê gastar R$ 144 mil com viagens de Silvinei a Madrid, na Espanha. A justificativa é de que ele fará mestrado de “Alta Direção em Segurança Internacional” no Centro Universitário da Guarda Civil.

A informação foi obtida pelo jornal O Estado de S. Paulo, que teve acesso ao processo ainda sob sigilo. Segundo o portal, o diretor-geral fez a solicitação há dois meses e a documentação foi assinada pelo diretor-executivo substituto do órgão, Daniel Souto. A autorização ainda deve passar pelo crivo do Ministério da Justiça, comandado por Anderson Torres, aliado de Vasques.

Do total, R$ 122.808,18 serão empregados em hospedagem e R$ 21.953,31 em passagens aéreas e seguro viagem. O curso está previsto para começar em dezembro, de forma remota, mas conta com três módulos presenciais, que demandam a aprovação de três viagens.