Diretor da NSA: governo Obama não pediu que Reino Unido espionasse Trump

Washington, 20 mar (EFE).- O diretor da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, Michael Rogers, negou nesta segunda-feira que o governo do ex-presidente Barack Obama tenha pedido à inteligência britânica para realizar qualquer tipo escuta envolvendo atual presidente, Donald Trump, durante a campanha eleitoral de 2016.

"Nunca vi na NSA alguém envolvido em uma atividade assim", disse Rogers, ao ser perguntado sobre o assunto na primeira audiência pública realizada no Congresso sobre a possível interferência russa nas eleições presidenciais americanas de novembro do ano passado.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, citou durante uma de suas entrevistas coletivas na semana passada uma afirmação feita por um comentarista da emissora "Fox" sobre as acusações de Trump de que Obama grampeou sua linha telefônica na Trump Tower, em Nova York.

"Três fontes de inteligência disseram à 'Fox News' que o presidente Obama pulou a cadeia de comando (para espionar Trump). Não usou a NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), não usou a CIA. Usou o GCHQ", disse Spicer, ao citar o comentarista Andrew Napolitano.

O GCHQ é um grande complexo de comunicações do governo situado na cidade de Cheltenham (na região oeste da Inglaterra). Ele trabalha muito próximo aos serviços secretos britânicos MI5 (interno) e MI6 (externo) e um de seus maiores trabalhos é o de defender o Reino Unido de ameaças cibernéticas.

No entanto, Rogers afirmou hoje que tal pedido de escutar um cidadão americano estaria "expressamente contra" os acordos de inteligência com os britânicos e outros aliados próximos. Rogers depôs junto ao diretor do FBI, James Comey, durante a primeira audiência do Congresso sobre o papel da Rússia na campanha presidencial de 2016 e sobre as acusações do magnata contra Obama sobre as supostas escutas telefônicas.

A este respeito, tanto o GCHQ quanto a primeira-ministra britânica, Theresa May, negaram as insinuações de Spicer sobre qualquer coordenação para espionar o multimilionário. EFE