Diretor do Stadia sugere que streamer deveria pagar desenvolvedores pelas lives

Wagner Wakka
·3 minuto de leitura

Alex Hutchinson é uma pessoa controversa. Ele é cofundador do Typhoon Studios, empresa comprada pelo Google para o time do Stadia. Isso já permite que o executivo se apresente como “diretor criativo” da plataforma.

Hutchinson, contudo, não ganhou notoriedade no último dia 23 por seu currículo. Eu seu perfil no Twitter, ele argumentou que influenciadores deveriam pagar para publicadores quando produzissem conteúdos em seus canais.

O executivo estava argumentando sobre as questões da DMCA (lei de direitos autorais para músicas) que derrubaram canais na Twitch. Para ele, isso não deveria acontecer só com música:

“Influenciadores com medo de ter seus conteúdos derrubados por usar músicas que não deveriam ter usado, pois não pagaram por isso, deveriam estar com medo do fato de que estão transmitindo games pelos quais também não pagaram. Vai tudo embora quando as publicadoras decidirem forçar isso”.

Ele ainda continua:

“A realidade é que influenciadores deveriam pagar os desenvolvedores e publicadoras dos jogos que eles transmitem. Deveriam comprar uma licença como qualquer negócio e pagar pelo conteúdo que utilizam”.

Faz sentido? 

O argumento de Hutchinson é uma já antiga discussão que já foi rebatida até pelo YouTube, que compõe a mesma empresa para a qual ele trabalha. O erro do executivo é comparar um influenciador produzindo vídeos em casa, sem investimentos, com grandes canais de mídia, com aporte para licenciamento.

Prova disso é que duas pesquisas já comprovaram os benefícios que os influenciadores trazem para os jogos. A primeira delas, intitulada Effects of Video Game Streaming on Consumer Attitudes and Behaviors ("Efeitos das transmissões de videogame nas atitudes de comportamentos do consumidor", em tradução livre), foi feita pela East Tennessee State Universtiy em 2016 e levantou as intenções de compra de jovens que assistem às lives de games. O resultado: eles estavam bem mais propensos a comprarem os jogos que acompanhavam em streaming do que outros.

Já a pesquisa The impacts of live streaming and Twitch.tv on the video game industry ("Os impactos das transmissões ao vivo e Twitch.tv na indústria dos games", na tradução livre) aponta para o aumento da longevidade de um título por conta das lives. Foi o caso, por exemplo, de Among Us, jogo lançado há dois anos, mas que explodiu em número de usuários e vendas somente em 2020 por contra da visibilidade de influenciadores da Coreia do Sul e do Brasil.

Relação com o Stadia

O argumento de Hutchinson também chamou atenção por conta da relação do executivo com o Google Stadia. Na apresentação da proposta, em março de 2018, a empresa apontou que um dos recursos da plataforma seria voltada para influenciadores.

A ideia era incluir um botão dedicado às transmissões ao vivo, que, quando pressionado pelos jogadores em um jogo, os levaria às lives daquele título em específico. Contudo, a ferramenta ainda não chegou à plataforma.

Apesar de Hutchinson se apresentar como diretor criativo do Stadia, o jornalista Jason Scheirer informa ele é apenas o fundador da Typhoon Studios, comprada pelo Google. Assim, não teria nenhuma voz ativa nas decisões da plataforma.

Fonte: Canaltech

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