Diretor de teatro diz que foi impedido de embarcar em voo da Lufthansa por ser cadeirante

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O diretor de teatro Mauricio Paroni diz que sofreu discriminação e foi impedido de embarcar em um voo da companhia aérea Lufthansa, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, por ser cadeirante.

O episódio ocorreu na última terça-feira (23). Paroni viajaria a trabalho para Milão, na Itália, num voo com escala em Frankfurt. A passagem, de classe executiva, foi comprada meses antes, em maio. O ator, que tem esclerose múltipla, diz que também informou à companhia aérea com antecedência sobre sua condição de saúde.

O diretor diz à reportagem que foi questionado pelos comissários de bordo, repetidas vezes, se ele conseguia se levantar da cadeira de rodas e se locomover por conta própria. A conversa, segundo ele, durou cerca de 30 minutos.

"Tudo isso acontecia com os outros passageiros embarcando, que me olhavam e comentavam [a situação]", segue. Ele afirma ainda que os comissários conversavam em alemão entre si, na sua frente.

Paroni conta que, por fim, a chefe de cabine informou que, sob ordens do piloto, ele não poderia embarcar por condições de segurança já que o voo estaria com quantidade mínima de funcionários. Assim, não haveria comissários disponíveis para atendê-lo ou ajudá-lo a se locomover pela aeronave.

"Fui retirado, junto com a minha bagagem, da entrada [do avião], 'empacotado de volta' e posto para fora. Aquilo foi um ato de discriminação e exclusão", afirma Paroni.

O diretor de teatro diz que ficou tão indignado com a situação que passou mal e foi atendido por funcionários do aeroporto. Ele afirma que também conversou com o delegado da polícia após o episódio.

Paroni diz que a Lufthansa ofereceu um outro voo, pela Latam, para este domingo (28). "[A oferta da passagem] é uma evidente admissão de culpa", diz.

A reportagem procurou a Lufthansa no sábado (27) e voltou a procurá-la nesta segunda (29), mas a companhia não respondeu até a publicação desta reportagem.

A GRU Airport, responsável pela concessão do aeroporto, disse que uma equipe médica foi acionada, mas que Paroni recusou o atendimento.

Dois dias antes do ocorrido, a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), vice na chapa de Simone Tebet (MDB), compartilhou nas redes sociais um relato de discriminação que teria sofrido pela mesma companhia aérea na Europa.

Ela embarcou um voo de Genebra para Zurique, na Suíça. Em um post no Twitter, a parlamentar relatou que os funcionários da empresa não encontravam a sua cadeira de rodas ao pousar no destino e ainda assim pediram que ela saísse da aeronave para "não atrapalhar"os outros passageiros.

Ela afirmou que, após aguardar por mais de uma hora e meia dentro do avião, os funcionários encontraram a cadeira, mas o objeto estava danificado. "A cadeira de rodas é uma extensão do nosso corpo. Sem ela não me locomovo. E com ela quebrada, meu corpo também fica", escreveu.