Diretora de conteúdo da Marvel comenta censura na Bienal e defende personagens femininas com corpos realistas

Luiza Barros
A americana Sana Amanat, vice-presidente de conteúdo da Marvel

RIO - Filha de imigrantes paquistaneses e criada em Nova Jersey, Sana Amanat, de 37 anos, pode não usar capa e máscara, mas é a identidade secreta por trás de muitos super-heróis que usam. Vice-presidente de conteúdo da Marvel, ela é a responsável por nortear as histórias e a estética de uma das marcas mais poderosas do entretenimento.

Uma de suas decisões mais famosas foi a de criar Kamala Khan, a atual Ms Marvel, e primeira personagem muçulmana do selo a ter a própria revista (e também de origem paquistanesa e criada em Nova Jersey, como a executiva). Um sucesso de vendas, a HQ venceu o Hugo Award de 2015 e agora ganhará uma série de TV no Disney+.

No Rio para o Wired Festival, onde palestra nesta sexta-feira, Sana comenta a decisão do prefeito Marcelo Crivella de tentar censurar um dos quadrinhos da Marvel na última Bienal do Livro.

— Não posso comentar sobre a opinião das pessoas, cada família tem a sua, mas há histórias e personagens em diferentes formatos para pessoas diferentes. Depende do indivíduo escolher o que quer consumir, mas não acho que podemos censurar os criadores por causa disso.

A executiva também explica a decisão de modificar a aparência de personagens femininas nos quadrinhos, deixando-as com corpos mais realistas e roupas mais discretas. Para ela, há uma diferença entre "ser sexy e ser sexualizada".

— O clássico look da Marvel era o boob and butt shot, em que a mulher torcia tanto o corpo que você conseguia ver os peitos e a bunda ao mesmo tempo, o que é completamente impossível (risos). Não fazia sentido. Nós pensamos muito no efeito que isso tem em jovens mulheres.