Diretora da Emia, Luciana Schwinden, pede para ser afastada do cargo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A diretora da Emia (Escola Municipal de Iniciação Artística), Luciana Schwinden, pediu para ser exonerada nesta segunda-feira (27). No pedido, Schwinden afirmou que não consegue se "afinar com essas propostas que caracterizam um início certeiro de desmonte [da cultura]".

A carta, na qual Schwinden pede para para ser afastada do cargo e destinada ao secretário André Sturm, foi publicada no Facebook da ex-diretora.

No texto de despedida, Schwinden afirma que a Emia tem muitos problemas de ordem estrutural, administrativa e funcional. Apesar da vontade de mudar, os problemas se estendem também ao ambiente interno, "percebo que não tenho o apoio necessário da equipe docente e da comunidade de pais e mães da Escola para permanecer", escreveu.

A ex-diretora, que foi escolhida pelo secretário para ficar no lugar de Andréa Fraga no começo do ano, também disse que sofreu injustiças e pede para que o secretário não mude sua equipe e que "volte atrás de algumas decisões que tem tomado".

Schwinden disse que apesar de não ter ido ao segundo protesto contra o congelamento de verbas destinadas à cultura, ela apoiou funcionários da Emia que compareceram.

Na carta, ela afirma que "as ações tomadas até agora pela Secretaria provocaram isso [a manifestação]. Sim, existem muitas pessoas que ainda defendem seus umbigos e não querem abrir mão de privilégios, mas a grande maioria tem total razão de ir para a rua em luta."

Segundo a Secretaria Municipal de Cultura, o pedido de exoneração, que partiu da ex-diretora Luciana Schwinden, foi aceito pelo secretário André Sturm. A direção da Emia ainda não tem um substituto para o cargo.

Ainda de acordo com a Secretaria, Sturm entende a publicação do pedido de exoneração no Facebook da ex-diretora como direito de manifestar-se.

Além da Emia, Luciana Schwinden já passou por outros cargos em gestão pública e coordenou projetos da prefeitura como o Piá e o Vocacional.

INSTABILIDADE

A Emia passa por instabilidades desde o começo do ano, quando o prefeito João Doria congelou 43,5% dos recursos destinados à cultura. Devido a esta contingência, aulas foram adiadas e a instituição foi alvo de protestos sobre a possibilidade de cortes de professores.