Diretora de escola orienta professores a apresentarem livros com "visão oposta" ao Holocausto

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Orientação foi dada a professores durante uma reunião. Diretora disse que, caso houvesse livros sobre Holocausto na sala de aula, deveria haver também obra com visão oposta (Foto: Getty Images)
  • Diretora de escola no Texas orientou professores a darem "visão oposta", caso falassem sobre Holocausto na sala de aula

  • Orientação estaria baseada em legislação estadual

  • Após caso ser revelado, rede de escolas pediu desculpas publicamente

A diretora de uma rede de escolas no Texas, nos Estados Unidos, informou aos professores: caso eles tenham livros sobre o Holocausto, também deve oferecer aos alunos livros de uma perspectiva de oposição. O caso foi revelado pelo canal norte-americano NBC News.

O caso ocorreu na escola Carroll Independent School District, rede de escolas na cidade de Southlake. O comentário foi feito por Gina Peddy, diretora de currículo e instrução, fez o comentário durante um treinamento sobre quais livros professores podem ter nas bibliotecas das salas de aula.

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O treinamento aconteceu quatro dias depois de a escola receber a reclamação de um pai sobre um professor ter um livro antirracista na sala de aula. O áudio da diretora foi gravado por uma pessoa do corpo de professores e divulgado pela NBC News.

Gina Peddy fez referência a uma lei do estado do Texas que obriga os professores a mostrarem múltiplas perspectivas quando forem discutidos temas considerados “controversos”. “Garantam que, se vocês tiverem um livro sobre o Holocausto, vocês tenham também um que se opõe, que mostra outra perspectiva”, disse a diretoa.

Um professor questionou: “Como você se opõe ao Holocausto?”

“Acredite em mim, isso já apareceu”, respondeu a diretora da escola. Outros questionamentos foram feitos de forma escrita, mas Peddy não respondeu.

À NBC News, a porta-voz da escola, Karen Fitzgerald, disse que o distrito está tentando ajudar os professores a seguirem a nova lei estadual do Texas. “Nosso distrito reconhece que todos professores do Texas estão em uma posição precária com os novos requerimentos legais”, declarou. “Nosso propósito é apoiar nossos professores e garantir que eles tenham desenvolvimento profissionais, recursos e o material que precisam. Nosso distrito não mandou e não vai mandar livros serem retirados.”

Caso um professor esteja inseguro sobre algum livro específico, o aconselhado pela porta-voz é consultar os superiores e coordenadores de currículo sobre os “passos adequados”.

Clay Robinson, porta-voz da Associação de Professores do Estado do Texas, afirmou à NBC News que é inadmissível que seja pedido a educadores que deem espaço para um negacionista do Holocausto. Ele ainda negou que haja qualquer elemento na lei estadual que vise esse tipo de medida.

Seis professores falaram, sob condição de anonimato, à emissora. Eles afirmaram estar com medo de terem livros nas salas de aula.

Após a publicação da reportagem, o superintendente de escolas, Lane Lendbetter pediu desculpas pelo ocorrido. “Durante as conversas com os professores no encontro de semana passa, o comentário feito não teve a intensão de dizer que o Holocausto não foi nada menos do que um evento horrível na história. Adicionalmente, nós reconhecemos que não há dois lados do Holocausto”, diz a publicação, feita nas redes sociais.

“Como um distrito, nós trabalhamos para dar claridade às nossas expectativas sobre os professores e pedimos desculpas mais uma vez pela confusão que causamos.”

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