Programa de Lula vê estabilidade de preços como "tarefa prioritária" e se opõe a privatizações

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Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu companheiro de chapa, o ex-governador Geraldo Alckmin
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Por Eduardo Simões

(Reuters) - As diretrizes do programa de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), divulgadas nesta terça-feira, apontam a retomada do emprego e a estabilidade de preços como "tarefas prioritárias" e afirmam que uma eventual gestão petista se opõe "fortemente" à privatização de Petrobras , Pré-Sal Petróleo, Eletrobras e Correios.

Lançadas em evento em São Paulo com a presença do ex-presidente e de seu candidato a vice, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), as diretrizes também fazem coro com declarações públicas recentes dadas por Lula ao defenderem a revogação do teto de gastos e a construção de "um novo regime fiscal, que disponha de credibilidade, previsibilidade e sustentabilidade".

O documento, lançado ainda com a presença de presidentes e representantes dos sete partidos que apoiam a candidatura de Lula, também defende uma "transição" da atual política de preços dos combustíveis praticada pela Petrobras em direção a uma "que considere os custos nacionais e que seja adequada à ampliação dos investimentos em refino e distribuição e à redução da carestia".

"Esse documento não é uma chegada, é um ponto de partida e tem que ser entendido como um ponto de partida", disse no evento o presidente da Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT, Aloizio Mercadante.

Além da divulgação das diretrizes, foi lançada uma plataforma online onde qualquer pessoa poderá fazer sugestões à versão final do programa de governo de Lula. Segundo Mercadante, será necessário fazer um cadastro para fazer sugestões e a plataforma terá uma moderação, e propostas que não dialogam com as diretrizes não serão aceitas. Ele disse que a plataforma já havia se tornado alvo de ataques de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL).

As diretrizes do programa de uma eventual gestão petista defendem ainda "uma nova legislação trabalhista de extensa proteção social a todas as formas de ocupação, de emprego e de relação de trabalho" e a revogação do que chama de "marcos regressivos da atual legislação trabalhista, agravados pela última reforma".

As diretrizes também afirmam que a política cambial deve ser uma ferramenta no combate à alta dos preços.

"Reduzir a volatilidade da moeda brasileira por meio da política cambial também é uma forma de amenizar os impactos inflacionários de mudanças no cenário externo. A orientação passiva para a política cambial dos últimos anos acentuou a volatilidade da moeda brasileira em relação ao dólar com consequências perversas para o índice de preços", afirma o documento.

Ao discursar no evento de lançamento das diretrizes, Lula afirmou que todos os pontos colocados no documento são possíveis de serem executados e, ao lembrar que governou o país por oito anos e que Alckmin foi governador de São Paulo por vários mandatos, disse que ambos não precisarão de tempo para aprender a governar.

"Estamos num processo de reconstrução do país. Se a gente está falando em reconstrução, a gente precisa comparar essa diretriz que o Aloizio Mercadante fez a apresentação para nós aqui como a construção de uma casa. E todo mundo sabe aqui que uma casa começa com um bom alicerce", disse Lula.

"Isso aqui é apenas um alicerce, nós vamos ter que construir a casa ao longo do tempo, ouvindo as pessoas através da plataforma, mas o mais importante é executar a política que nós fizermos se ganharmos as eleições", acrescentou.

Alckmin, ao discursar e elogiar a coordenação que levou a um documento consensual para os sete partidos que apoiam Lula --PT, PCdoB, PV, PSB, Rede, PSOL e Solidariedade--, aproveitou para alfinetar Bolsonaro.

"Não se faz um programa de governo democrático em cima de motociata ou jet ski", disse Alckmin, acrescentando que o atual governo promoveu "um verdadeiro desmanche do Estado em todas as áreas".

Lula lidera com folga as pesquisas de intenção de voto para a eleição de outubro, à frente de Bolsonaro. Alguns levantamentos apontam possibilidade de vitória do petista já no primeiro turno, mercado para 2 de outubro.

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