Dirigente do Conselho Federal de Medicina comemorou atos terroristas

A médica do trabalho Rosylane Nascimento das Mercês Rocha, presidente interina do Conselho Federal de Medicina (CFM), comemorou em suas redes sociais, com a publicação de uma série de fotos dos atos de vandalismo e terrorismo promovidos por bolsonaristas radicais em Brasília no último domingo.

Rosylane, que é segunda vice-presidente do CFM, publicou em sua conta pessoal no Instagram imagens em que os golpistas aparecem invadindo a rampa do Congresso Nacional com a legenda "Agora vai" Apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro, ela também tem em suas redes fotos vestida de verde e amarelo. Em uma das fotos, aparece com uma camiseta com a estampa "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", mote adotado por bolsonaristas.

Em outra publicação, a médica publicou uma imagem da estátua da Justiça em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) vandalizada com os dizeres "perdeu, mané". Ela ainda usou um emoji para ironizar a situação.

Bolsonarista convicta, a médica já publicou em suas redes textos a favor do uso de hidroxicloroquina no tratamento à Covid mesmo quando o medicamento já era comprovadamente ineficaz no combate ao vírus. Também defendeu o que chamou de "autonomia médica", em alusão à permissão para que médicos fizessem uso off label da droga em seus pacientes. Criticado pelo seu suposto alinhamento ideológico ao bolsonarismo, o mesmo CFM restringiu o uso de canabidiol para fins medicinais.

O aparente apoio de Rosylane aos atos terroristas contrasta com a nota divulgada pelo CFM no qual a entidade condena os ataques às instituições.

Procurado sobre o caso, o CFM afirmou que Rosylane "comunicou (...) que não participou dos atos deste domingo e que na tarde deste dia se encontrava com familiares e amigos em local público, em agenda pessoal. Além disso (...) reiterou seu repúdio pessoal a atos de violência e de vandalismo de qualquer natureza".

Na nota pública sobre os atos de vandalismo e depredação, o CFM divulgou texto em que "manifesta publicamente seu repúdio aos atos violentos praticados no dia 8 de janeiro".

"Neste momento, o CFM reitera a necessidade de que todos, população e as autoridades, observem as determinações legais, contribuindo com a construção de um ambiente favorável ao Estado Democrático de Direito", concluiu o texto.

Além do cargo no CFM, Rosylane diz em seu currículo ser supervisora do programa de residência médica da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS). Foi ainda presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho entre 2019 e 2022 e presidente da Associação Brasiliense de Medicina do Trabalho em dois períodos: entre 2010 e 2015, e entre 2017 e 2019.