China mantém silêncio sobre possível visita de Kim Jong-un a Pequim

Pequim, 27 mar (EFE).- O Governo chinês manteve nesta terça-feira silêncio sobre uma possível visita do presidente norte-coreano, Kim Jong-un, a Pequim, onde uma misteriosa caravana diplomática percorreu vários pontos da capital gerando grande expectativa e muitas especulações entre veículos de imprensa internacionais.

"Não estou a par de nenhuma informação neste momento. Se tivermos algo, divulgaremos em seu devido momento", manifestou em entrevista coletiva uma porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Hua Chunying.

Embora Hua não tenha confirmado o que poderia ser o primeira viagem à China de Kim desde que chegou ao poder há seis anos, afirmou que ambos países são "amigos" e "ainda mantêm intercâmbios normais" apesar das sanções recentes de Pequim a Pyongyang em aplicação às distintas resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

A possível visita de Kim seria uma antecipação perante a cúpula com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, em abril, e da prevista em maio (embora sem definir o local) com o presidente dos EUA, Donald Trump.

A porta-voz chinesa relembrou hoje o objetivo de Pequim de "continuar tendo um papel positivo e construtivo na desnuclearização da península coreana, e em manter a paz e a estabilidade" da região.

A possível presença de Kim Jong-un seguiria assim as viagens que seu pai, Kim Jong-il, realizava a Pequim: deslocamento em um trem especial, segurança reforçada em pontos da capital chinesa e silêncio absoluto das autoridades de ambos países até que o líder norte-coreano retornasse ao seu país.

As especulações sobre a possível presença de Kim em Pequim continuaram hoje com as medidas de segurança excepcionais em pontos da capital chinesa, assim como os movimentos de uma caravana de veículos oficiais com muita escolta.

Na residência para dirigentes estrangeiros de Diaoyutai, uma grande caravana com mais de 20 policiais em motos e vários veículos foi observada saindo do local.

A caravana foi vista posteriormente na estação central de Pequim, desde onde saem os trens com destino ao nordeste (direção da Coreia do Norte), e em torno da qual foi detectado muito movimento e medidas de segurança.

O principal veículo da caravana era uma grande limusine especial de marca alemã, enquanto os líderes estrangeiros que visitam Pequim (com exceção dos americanos) costumam utilizar veículos cedidos pelo Governo chinês: os Hongqi.

O trem blindado no qual supostamente viajaria Kim (ou talvez algum outro funcionário norte-coreano de altíssima categoria) saiu hoje da estação central, segundo informou a agência japonesa "Kyodo".

Em torno da embaixada da Coreia do Norte, qualquer pessoa que chegasse com uma câmera era rapidamente rodeada por policiais com e sem uniforme que lhe pediam identificação e depois solicitavam que deixasse o local, como ocorreu com duas jornalistas da Agência Efe.

Por outro lado, a praça de Tiananmen estava aberta hoje aos turistas, depois de ontem ter permanecido fechada por várias horas e com uma forte presença de segurança.

Nessa praça está, entre outros locais simbólicos do Estado chinês, o Grande Salão do Povo, sede do Legislativo e local de recepção para dirigentes estrangeiros.

Veículos de imprensa japoneses revelaram hoje que um trem especial com as cores especiais dos líderes norte-coreanos tinha chegado à capital chinesa, onde o transporte ferroviário sofreu grandes atrasos, enquanto em certos pontos da cidade e em Tiananmen havia um enorme e pouco frequente dispositivo de segurança. EFE