Disney alerta o politicamente incorreto em filmes

Novo canal da emissora, o Disney + faz alerta sobre representações culturais desatualizadas (Getty Images)

A Walt Disney Pictures lançou, a princípio nos Estados Unidos, Canadá e Holanda, sua nova plataforma de streaming chamada Disney (Disney Plus). Nela é possível conferir os clássicos do canal, além de filmes e seriados exclusivos - em uma tentativa de competir com a líder Netflix.

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Representações culturais desatualizadas.

Mais do que a novidade da nova plataforma de streaming, o que chamou a atenção dos espectadores foi um aviso legal encontrado em muitos dos filmes antigos: “This program is presented as originally created. It may contain outdated cultural depictions", ou seja, o programa está sendo apresentado como foi criado originalmente e pode conter representações culturais desatualizadas. 

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Racismo em ‘Fantasia’ e ‘Peter Pan’ 

O aviso foi colocado em filmes como ‘Aristogatos’ por conta de suas representações com elementos racistas. Neste caso, os gatos siameses com dubladas não asiáticas. 

‘Fantasia’ é outro filme que recebe a notificação por conta da cena em que uma centaura negra lixa os cascos de uma centaura branca, como uma serva. Ainda, em "Peter Pan", há uma canção racista a qual explica como os indígenas se tornaram peles vermelhas.

Bola dentro em produções recentes 

Apesar da pisada na bola com os clássicos, as recentes produções da Disney tratam de assuntos delicados e com críticas sociais em uma linguagem que qualquer um, até a criançada, pode entender. Relembre alguns deles:

O cuidado com o meio ambiente em "Wall-E"

O ano é 2700 e a Terra se tornou um grande lixão inabitável para a vida humana. Seu único cidadão é o robô Wall-E que passa os dias compactando e organizando entulhos, enquanto os humanos sobreviventes são obesos, sedentários e alienados que viajam em naves de alta tecnologia pelo espaço sideral. 

Este futuro distópico é um alerta para que o cuidado com a natureza seja prioridade antes que seja tarde demais e o filme não se torne realidade. 

"Zootopia" fala sobre o racismo e machismo 

Ao invés de dividir negros e brancos, a população separa-se entre "presas" e "predadores". A protagonista é a coelhinha Judy que precisa enfrentar diversos desafios - incluindo o machismo - para realizar seu sonho de se tornar uma policial. Judy não é convocada para os casos importantes e é enviada ao setor de multas de trânsito, no qual ela conhece a raposa Nick (que é um animal marginalizado, traiçoeiro e perigoso, associando aos negros na nossa sociedade). 

"Zootopia" discute tanto o machismo quanto o racismo de uma forma tão simples que todos podem compreender as injustiças retratadas.

‘Divertida Mente’ discute assuntos como a depressão

A puberdade é um momento delicado para todos, e isso inclui a personagem Riley Anderson, de ‘Divertida Mente’. O filme trata das emoções da pré-adolescente que acaba de se mudar para longe dos seus amigos e tudo o que conhecia, com a introdução de um novo personagem: a tristeza. Riley sempre foi uma menina feliz e este novo sentimento fez com que toda a sua estrutura emocional sofresse um balanço.

O filme discute a importância de compreender e aceitar os sentimentos, afinal tudo desaba quando tentam esconder a tristeza - o que é uma crítica ao mundo moderno em que todos precisam estar felizes a qualquer custo.

Um exemplo do poder feminino no "Mulan"

Mulan é uma jovem que se disfarça de homem para poder entrar no exército chinês e lutar contra o exército Huno que invadia o país. Quebrando estereótipos e se destacando nos treinamento ao som da marcante "Homem ser", mesmo depois de descoberta, ela ainda ajuda os colegas e salva toda a China, ganhando até uma medalha de honra do Imperador.

Se Mulan não tivesse enfrentado o machismo apesar de todos estarem contra ela, a China teria sido tomada pelos hunos.