Disparada de casos de Covid deixa hospitais de Portugal perto do limite

Catarina Demony e Miguel Pereira
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Hospital em Cascais, Portugal

Por Catarina Demony e Miguel Pereira

CASCAIS, Portugal (Reuters) - João Cordeiro conseguiu vencer a Covid-19 e está prestes a ir para casa, e seus filhos também se recuperaram rápido da doença, mas a batalha de sua família com uma epidemia que está assolando Portugal está longe do fim.

A esposa de Cordeiro continua no Hospital de Cascais, nos arredores de Lisboa, lutando pela vida em uma unidade de emergência alguns andares abaixo do quarto em que ele foi tratado.

"Ela está lá com pneumonia e tudo mais", disse o paciente de 48 anos, aliviado de ter alta depois de semanas no hospital, mas visivelmente cansado e alarmado com a ideia de deixá-la.

"Estou com medo... quero que ela melhore."

A epidemia de Portugal entrou em uma fase "terrível", admitiu o primeiro-ministro português, António Costa, na quarta-feira, e a disparada de casos deixou os hospitais perto de um colapso.

Alguns estão ficando sem leitos, outros veem seus estoques de oxigênio minguarem. Médicos e enfermeiros também estão sobrecarregados, por isso médicos militares estão sendo convocados da Alemanha para oferecer ajuda.

Como em outros locais, os funcionários de Cascais estão exaustos, e às vezes têm dificuldade para se manter motivados. "Não há fim à vista", murmurou uma enfermeira.

Na rede de saúde pública portuguesa, 830 leitos de UTI de um total de 1.200 foram alocados para pacientes de Covid-19. Atualmente, há 783 pacientes de Covid-19 em UTIs.

(Com reportagem de Pedro Nunes)