Disparada do dólar pode forçar atuação mais agressiva do Banco Central

Renato Andrade

A escalada do dólar começa a gerar uma onda de insatisfação, entre os agentes do mercado financeiro, com a estratégia adotada pelo Banco Central para reduzir os movimentos bruscos da cotação da moeda frente ao real. Para muita gente na praça, já está claro que se o BC quer, efetivamente, suavizar o movimento de alta da divisa, a atuação terá que ser bem mais agressiva do que foi até o momento.

Três fatores contribuem para a atual disparada do dólar. A primeira delas é que o Brasil não tem mais taxas de juros que funcionam como ímã para o investidor estrangeiro. Além disso, a expectativa de um crescimento global mais fraco este ano, resultado da crise do coronavírus, derrubou as moedas de grandes produtores de commodities, como o Brasil. Para fechar a conta, há o problema da falta de dinamismo da economia local. Crescimento baixo significa poucas chances de bons investimentos. Se não há projetos sendo oferecidos, o dinheiro não entra.

— Hoje não tem motivo algum para alguém ser vendedor de dólar no Brasil. O único grande vendedor, possível, vai ter que ser o Banco Central — resumiu um especialista que acompanha diariamente os movimentos do mercado cambial.

O problema é que a atuação do BC tem sido tímida, em termos de volume do que está sendo ofertado frente ao tamanho do pânico que tomou conta das mesas de operação. O que o caberia ao BC fazer? Para muita gente, o caminho é adotar um programa mais agressivo de oferta de contratos de swap, um instrumento financeiro que funciona como uma espécie venda de dólares. Esse tipo de atuação não é novidade. O BC já fez isso no passado.

Se as intervenções do BC não ganharem corpo, o alerta da praça é curto e grosso: o dólar vai bater em R$ 5 rapidamente.